05
jul
2019
Crítica: “Homem-Aranha: Longe de Casa”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

 Homem-Aranha – Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home)

Jon Watts, 2019
Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers
Disney

4,5

Nem parece que há pouco mais de 3 meses, fomos pegos de calças curtas com Vingadores: Ultimato que arrebatou mais de 2,7 bilhões nas bilheterias mundiais, encerrando. por assim dizer, o capitulo de uma das sagas do cinema mais inacreditáveis dos últimos 10 anos. E agora, vem chegando o mais novo filme do amigão da vizinhança.

Após os eventos de Vingadores: Ultimato, Peter Parker (Tom Holland) passa a lidar não apenas com o retorno de todos os que voltaram do “estalo”, mas também com as consequências do sacrifício de Tony Stark (Robert Downey Jr.). Além de sentir imensa falta do mentor, ele passa a ser enxergado pela imprensa como uma espécie de substituto do Homem de Ferro.

Paralelamente a isso, o garoto recusa diversas ligações de Nick Fury (Samuel L. Jackson), priorizando sua viagem de férias com os colegas de escola. O que ele não sabe é que Fury está trabalhando com um novo herói, Mystério (Jake Gyllenhaal), que afirma vir de um mundo paralelo para salvar a realidade deles da ameaça dos elementais, quatro criaturas gigantes baseadas em água, fogo, terra e ar.

assim como havia sido em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, a aventura aqui se preocupa apenas com os personagens daquele microuniverso, sem a necessidade de conectar suas ações com grandes eventos da Marvel Studios. Funcionou naquela oportunidade e funciona novamente de forma muito satisfatória, já que agora conhecemos melhor aquelas pessoas e as possibilidades de interações e relações entre elas se desenvolvem rapidamente.

Arrisco dizer que é justamente em seu elenco e personagens que Longe de Casa encontra sua força. O alívio cômico dá o tom do longa, seja na divertida interação entre Happy Hogan (Jon Favreau) e Tia May (Marisa Tomei), nos professores atrapalhados de Peter, ou mesmo em sua turma, com destaque óbvio para Ned Leeds (Jacob Batalon) e suas reflexões sobre as relações amorosas, ou mesmo em MJ (Zendaya), que ganha mais destaque com sua personalidade única.

Nem todas as piadas funcionam, é bem verdade, mas a maior parte delas diverte e cumpre seu papel. Tom Holland vive Peter com sua competência habitual, ganhando o espectador nos pequenos momentos que definem o personagem. Um exemplo perfeito é quando o protagonista precisa abandonar uma apresentação operística, sua grande oportunidade de aproximação com MJ – por quem está apaixonado – para embarcar na missão de Fury. Nada é mais Homem-Aranha do que isso, o sacrifício do personagem em detrimento do bem maior, e Holland passa isso muito bem em tela

O Mystério vivido por Jake Gyllenhaal, apesar de pouco surpreendente, é muito bem adaptado pelo roteiro, que se aproveita de situações do passado do Universo Cinematográfico Marvel para justifica-lo de maneira convincente. O ator está muito bem, especialmente quando entendemos a natureza de seu personagem e suas motivações, fazendo com que as sutilezas de sua interpretação durante todo o primeiro ato fiquem evidentes.

E se os efeitos não decepcionam, o mesmo podemos dizer do design de produção, que reproduz os países europeus com eficácia. Se ao mesmo tempo é estranho vermos o Homem-Aranha longe de seu “habitat” natural que é Nova York, aos poucos nos acostumamos, especialmente quando o vemos interagindo com as locações e objetos de cena. A cena em que Peter usa uma máscara teatral em Veneza é um ótimo exemplo. Algo inesperado, mas que funciona muito bem dentro daquele contexto.

Outro aspecto indispensável na construção do ambiente é a trilha sonora do grande Michael Giacchino, que mescla o tema clássico do Aranha com melodias típicas de cada país em que a trama se desenrola. Notar isso durante a exibição pode exigir um ouvido um pouco mais apurado do espectador, mas certamente é sentido por qualquer um, mesmo que de forma inconsciente. Mais um grande trabalho do compositor.

O roteiro é um grande mix de filmes adolescentes como os dirigidos por John Hughes, com pitada de Eurotrip. visto que há uma certa similaridade com a comedia para maiores de idade.

Muitos torceram o nariz quando Kevin Feige. o CEO do Marvel Studios disse que o encerramento para a Saga do Infinito seria este filme. Pode não ser o final apoteótico que poderia se esperar, mas está longe (sim, mais um trocadalho do carilho. Deixa que eu vou me matar logo mais.) de ser o pior fim de saga. Considero este como um epilogo para saga, só para deixar o espectador com mais vontade de continuar acompanhando esse universo.

Para encerrar, devo adiantar que as duas cenas pós-créditos do longa são indispensáveis para a compreensão total da jornada e do que podemos ver pela frente. A primeira é um abraço caloroso nos fãs dos filmes do Aranha, ao mesmo tempo em que abre um caminho interessante para o futuro. A segunda é menos impactante, mas não menos surpreendente.

Homem-Aranha: Longe de Casa é o final mais apropriado para o encerramento de uma jornada que estendeu ao longo de 24 filmes. Mesmo o vilão tendo um quê de farsesco. como mostrado em Homem de Ferro 3, ainda assim, tem um resultado muito acima da média e certamente deixará muitos fãs ansiosos com o próximo capitulo do Teioso.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.