27
ago
2019
Conheça 7 videoclipes dirigidos por cineastas famosos!
Categorias: Listas Radioativas, Sem categoria • Postado por: David Ehrlich

Não é raro críticos e acadêmicos, mesmo atualmente, tratarem o videoclipe como uma “arte menor”, de pouca importância ou impacto. Mas nem sempre esse é o caso. Quando bem feitos, videoclipes podem ser narrativas muitíssimo envolventes e interessantes de serem analisadas.

Muitos cineastas atualmente renomados começaram dirigindo videoclipes, e mesmo muitos de carreiras reconhecidas já usaram o formato para destilar seus estilos pessoais dentro das limitações impostas pela música – ao mesmo tempo, porém, elevando-as a um nível nem sempre inicialmente imaginado pelo ouvinte.

Bad – Michael Jackson (1987, direção: Martin Scorcese)

Com 18 minutos de duração, Bad é um épico entre videoclipes – e só poderia ter sido dirigido pelo mesmo diretor premiado de Taxi Driver e Touro Indomável.  Misturando cenas preto-e-brancas e coloridas, sua narrativa dramática – um típico conflito “scorecesiano” entre o personagem de Jackson e seus amigos de infância – poderia muito bem ser considerada um curta-metragem, com a câmera devorando a imagem de Michael Jackson enquanto ele canta e dança, refletindo toda a admiração que o próprio Scorcese sente pelo artista. A coreografia do clipe também mostra seu lado cinematográfico, fortemente inspirada pela do clássico musical Amor, Sublime Amor, porém com uma releitura típica dos anos 80.

Dancing in the Dark – Bruce Springsteen (1984, direção: Brian De Palma)

É no mínimo inusitado que um videoclipe que transmite tanta positividade tenha vindo do mesmo diretor de Carrie, A Estranha e Scarface. Mas isso aconteceu, e De Palma fez um bom trabalho em retratar Springsteen como um ícone da masculinidade americana dos anos 80, dançando pelo palco em sua camiseta branca de mangas dobradas e jeans azul. Filmado ao vivo no dia de abertura do tour Born in the USA, o videoclipe também é famoso por sua ponta no final de uma então desconhecida Courtney Cox, que, junto com a edição e os posicionamentos de câmera, dá ao vídeo um ar de sonho, como se shows de música fossem lugares mágicos nos quais qualquer um pode tornar-se íntimo do seu artista favorito.

Here With Me – The Killers (2012, direção: Tim Burton)

Tim Burton já havia dirigido para os The Killers o videoclipe de Bones, porém é no de Here With Me que ele mais exibe seu já conhecido estilo gótico, pegando a letra no sentido literal para contar a história de um típico protagonista “burtoniano” solitário com uma paixonite por Winona Ryder (que já havia trabalhado com Burton em Edward Mãos-de-Tesoura), que começa um relacionamento com um manequim feito à semelhança dela. Ao mesmo tempo perturbador e inocente – como seria de se esperar do diretor -, o clipe logo assume um tom surrealista que pode deixar o espectador um tanto desconfortável, dependendo do quanto ele for receptivo a pessoas com cabeças de vela. Faz mais sentido assistindo.

I Just Don’t Know What to Do With Myself – The White Stripes (2003, direção: Sofia Coppola)

Uma das primeiras mulheres indicadas ao Oscar de Melhor Direção, Sofia Coppola possui sua pequena dose de videoclipes no currículo, para bandas como The Flaming Lips e Phoenix. Porém o mais memorável é provavelmente o vídeo que ela dirigiu para um cover da banda The White Stripes de uma canção de Dusty Springfield. É também um de seus trabalhos mais minimalistas – apenas três minutos da modelo Kate Moss vestida só com roupa íntima e fazendo pole dance -, mas é inegável o poder hipnotizante da peça, especialmente pela forma como Sofia Coppola tradicionalmente realça a beleza feminina (como ela fez com Scarlett Johansson em Encontros e Desencontros ou Kirsten Dunst em Maria Antonieta).

Sabotage – Beastie Boys (1994, direção: Spike Jonze)

Antes de dirigir filmes cultuados como Quero Ser John Malkovich e Adaptação, Spike Jonze era um fã de BMX que começou fotografando manobras, porém logo se tornou um dos mais inovadores diretores de videoclipes dos anos 90, com seu uso memorável de referências à cultura pop. E em nenhum clipe isso tem um resultado mais divertido do que no de Sabotage, uma paródia de séries policiais dos anos 70 como Hawaii Five-O e S.W.A.T, que imita as aberturas delas a tal ponto que se fica chateado que ele não é seguido por uma série de verdade. O clipe tornou-se tão icônico que Danny Boyle inclusive utilizou-o um ano e meio depois como inspiração para a cena inicial do já clássico filme Trainspotting.

Under the Bridge – Red Hot Chili Peppers (1992, direção: Gus van Sant)

Van Sant conheceu o baixista Flea durante a produção de Garotos de Programa. Foi ele quem o convenceu a dirigir um videoclipe para sua banda, até então underground. A música, junto com o videoclipe, acabou por tornar-se um fenômeno de nível global, e elevou a banda a um sucesso inesperado. De forma inusitada, o clipe consegue unir em poucos minutos o que parecem ser os dois estados de humor da obra de Gus van Sant: Cenas relaxadas e com os pés no chão do vocalista Anthony Kiedis interagindo com pessoas nas ruas de Los Angeles; e sequências coloridas e surreais que envolvem Kiedis correndo sem camisa em câmera lenta e o guitarrista John Frusciante tocando com um gorro andino na cabeça.

Vogue – Madonna (1990, direção: David Fincher)

Em 1999, a revista Rolling Stone declarou Vogue o segundo melhor videoclipe de todos os tempos (atrás apenas de Thriller). A colocação foi mais que merecida: Fincher criou nesse videoclipe uma verdadeira obra de arte com um apelo atemporal, uma ode ao glamour que mistura cenários art déco; figurinos e iluminação preto-e-branca dignos de um filme noir da Era de Ouro de Hollywood; e dançarinos muito elegantemente vestidos dançando no estilo que dá nome à música. Quase trinta anos depois, ainda encanta quem o assiste pela primeira vez (e segunda, e terceira…), e dá uma amostra do talento direcional do cineasta que mais tarde traria ao mundo filmes como A Rede Social e Garota Exemplar.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.