22
ago
2019
Crítica: “Brinquedo Assassino (2019)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Brinquedo Assassino (Child’s Play)

Lars Klevberg, 2019

Roteiro: Tyler Burton Smith
Imagem Filmes

3.5

Chucky. Um boneco com estranhos poderes ameaça a existência humana por onde quer que passe. Baseado na lenda do boneco Robert, que também já foi símbolo de controvérsias, esse psicopata em forma de brinquedo gerou uma franquia que até hoje tem seu grau de relevância para com a cultura pop.

E, seguindo a leva de Hollywood onde tudo o que já fez um sucesso moderado, teve um reboot, porém numa linha temporal, onde os eventos ocorridos desde O Culto de Chucky não influenciam a realidade desta produção.

A corporação Kaslan faz basicamente tudo o que as pessoas consomem em questão de eletrônicos. O mais recente lançamento é o boneco Buddi, onde o brinquedo seria um grande hub para todos os aparelhos. Porém, um dos funcionários acaba num surto de raiva decidindo descontar sua frustração, alterando a programação do boneco. Após isso, o funcionário conclui seu trabalho se suicidando.

Algum tempo depois, vemos Andy (Gabriel Bateman) e Karen (Aubrey Plaza). Andy é um garoto recluso que tem como único entretenimento seu celular. Karen é uma mãe que se divorciou há pouco tempo, jovem e que está num emprego ruim. Para tentar compensar a mudança que teve de fazer, decide levar um dos bonecos Buddi defeituosos do local onde trabalha para presentear seu filho.

O mesmo tenta parear o boneco, porém o mesmo não responde a essa programação. Além disso, o próprio boneco se autodenomina Chucky. Andy faz amizade com dois adolescentes que moram no prédio: Falyn (Beatrice Kitsos) e Pugg (Ty Consiglio). Chucky começa a demonstrar uma natureza violenta assim que decide estrangular o gato de Andy e quando se arma com uma faca enquanto ele e seus amigos assistem Massacre da Serra Elétrica 2.

A maior reclamação que os fãs antigos farão ao filme é que o mesmo não possui nenhuma referência aos antigos filmes e o modo capeta do brinquedo se deve a uma programação mal feita e uma inteligência artificial homicida estilo HAL 9000. Porém, isso não se torna o calcanhar de Aquiles. Existem alguns outros defeitos a serem pontuados, porém devo ressaltar que a “originalidade” ajuda a dar uma repaginada e, possivelmente, uma sobrevida a já desgastado franquia.

O desenho de som é bem feito. Quando a voz do boneco falha, vemos uma veracidade nos defeitos. Mas quando o personagem ativa seu modo psicopata, vemos que o defeito é quase esquecido em vários momentos.

Os sustos são fracos na maior parte do tempo. Mesmo que há um jogo de gato e rato, pouco é investido e só é crível quando os enquadramentos mais voltados ao ponto de vista do boneco são vistos é que a tensão se mostra fulminante.

Outro ponto mal explorado é a conectividade do boneco. Ele inicialmente se mostra um hub de todos os produtos, mas só quando o roteiro decide que o mesmo precisa de concerto para poder justificar um orçamento mais parrudo para as cenas de morte mais mirabolantes, o espectador se esquece dessa premissa e tudo passa a ser gratuito.

Isso sem falar do design escolhido para o boneco. A forçação de barra para fazer com que até o espectador mais passível engula que o boneco não machucaria uma mosca é demais. Sei que bonecos como Fofão nunca foram grandes exemplos de beleza, porém na franquia anterior, mesmo com o redesign do boneco, ainda existia um suspensão de descrença mínima. Aqui, ela é perdida já quando vemos o rosto do personagem, dificultando qualquer tipo de credibilidade do espectador.

O roteiro foca mais num drama de mãe e filho tentando se entender do que propriamente no terror. Nada que desconcentre o espectador, mas se você está esperando o filme com maior quantidade de jump scares ou sustos inesperados só pra fazer você achar que está fazendo valer seu ingresso, já lhe adianto: são poucos os jump scares e só um realmente pega a todos desprevenidos.

É possível observar referências de algumas produções. Além da franquia de Leatherface, existe um certo flerte com a série Stranger Things, visto que o garoto faz amizade com outras crianças que se unem para enfrentar o monstro da vez.

As atuações são medianas. O destaque maior é de Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, da saga Star Wars. Seu Chucky tem uma gama de emoções incríveis. Consegue fazer desde a “inocência” até o mais insano dos psicopatas em pouco tempo. Visto que o mesmo já foi dublador do personagem Coringa em várias produções em desenho animado da DC Comics e na série de jogos Batman: Arkham, nada mais justo que entregar uma atuação minimamente condizente com o psicopata mais famoso dos quadrinhos.

Brinquedo Assassino (2019) é um filme que consegue revitalizar uma franquia desgastada, dando mais espaço aos personagens humanos do que ao boneco. Mesmo que isso possa soar estranho, é uma melhora bem vinda que pode servir de ponto de partida para outras situações melhor aproveitadas no futuro.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.