12
set
2019
Crítica: “IT – Capítulo 2”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

IT – Capítulo Dois (IT – Chapter Two)

Andrés Muschietti, 2019
Roteiro: Gary Dauberman
Warner Bros. Pictures

3.5

A obra máster de Stephen King, IT, obteve um grande sucesso quando foi lançada em 1986. Em pouco tempo, a obra foi adaptada para a TV, virando um filme de quase 3 horas. Em 2017, foi feito um remake, porém só adaptando a parte da infância do monstrão, que gerou US$700 milhões, virando a maior bilheteria da história do cinema de terror. Quem ficou até o fim dos créditos, viu a seguinte frase ao fim; “IT – Capítulo Um”

Agora, chega ao fim, a saga da criatura d=que assume a forma de um palhaço cruel. Será que presta?

Estamos em 2016. Um parque de diversões está na cidade de Derry, Maine e dois jovens estão festejando. Um grupo de jovens homofóbicos decidem atacar o casal. Os dois são espancados e um deles é jogado na agua. O homem que se debate na água começa a ver uma alucinação que logo é mostrada sendo Pennywise (Bill Skarsgard), que o salva, mas o mata logo em seguida, para o desespero de seu amigo.

A policia é chamada e Mike Hanlon (Isaiah Mustafa), um dos membros do Clube dos Otários, acaba vendo que o monstro voltou a atacar. Sabendo disso, Mike liga para os outros membros. O primeiro é Bill Denbrough (James McAvoy), que agora é um escritor que tem seu livro sendo adaptado para cinema,; Richie Tozer (Bill Hader), que é um comediante de stand-up; Ben Hanscom (Jay Ryan), que virou um arquiteto bem sucedido; Eddie Kaspbrak (James Ransone), um avaliador de risco casado com uma mulher que tem uma atitude similar a de sua mãe, Beverly Marsh (Jessica Chastain), que virou uma estilista de moda bem sucedida, casada com um marido abusivo semelhante ao seu pai e Stanley Uris (Andy Bean), que vira um contador. Porém, Stanley fica apreensivo e não sabe o que fazer.

O grupo se encontra e o monstro encontra os mesmos e os atormenta com visões. O grupo mais tarde é informado que Stanley cometeu suicídio. Richie e Eddie decidem ir embora, porém Mike mostra a Bill um ritual que pode exterminar o monstro de uma vez por todas. Ambos convencem Richie e Eddie a ficarem. Enquanto isso, Henry Bowers, que fora visto pela ultima vez em um sanatório, acaba sendo auxiliado por Pennywise a fugir e acabar com o grupo.

O foco aqui, diferente da primeira parte, são as lembranças do passado e os segredos reprimidos que voltam a assombra-los. Essa mescla de elencos, intercalando a infância e a fase adulta dos personagens é um dos grandes acertos da narrativa, ainda que o ritmo cadenciado, ao longo de duas horas e quarenta e nove minutos de projeção, canse o espectador em alguns momentos. Apesar de algumas ações repetitivas, Muschietti garante altas doses de tensão, sustos e, claro, alívios cômicos.

O segundo ato é bem mais difícil de progredir. Quando o elenco está separado e precisa seguir em sua jornada solo, o ritmo cai e demora para o filme voltar a engrenar. Isso pode afastar aqueles que só esperam os jumpscares óbvios, portanto não servirá para atrair o povo que só curte susto sem se preocupar com a história.

O CGI é provavelmente um dos problemas mais aflitivos do filme. Enquanto que no primeiro filme, o uso foi mais discreto, aqui, a mão foi desmedida e o resultado foi um tanto decepcionante para não dizer enfadonho. Em vários momentos, se percebe que foi exagerado e a suspensão de descrença pode se esvair.

A trilha sonora alterna entre momentos sombrios e alegres. Uma das faixas a ser destacada é Angel of the Morning da cantora Juice Newton, que aparece na cena de abertura do filme Deadpool.

Existem a presença de flashbacks com as crianças do primeiro filme. Nesses momentos, o filme tem uma parcela de acertos, pois a química entre os atores mirins é soberba. Já quanto ao elenco adulto, o entrosamento possui uma certa artificialidade em várias ocasiões.

Os jumpscares são a pior parte do filme. Antes, a produção tinha uma presença de sustos surpresa quase nula, aqui, os sustos acontecem quase a todo o momento e seu impacto não é marcante. Creio que isso se deve ao fato de o roteirista ser o mesmo responsável por fazer os roteiros do universo Invocação do Mal, exceto aqueles em que James Wan está presente.

Na parte cômica, Bill Hader acaba se destacando, como já era esperado, mas as atuações, como um todo, são muito eficientes, especialmente as de James McAvoy e Isaiah Mustafa. Jessica Chastain, por sua vez, tem uma participação mais discreta e contida, aquém de seu nome. E, por fim, Bill Skarsgård volta a dar show na encarnação do palhaço Pennywise, uma criatura sombria, de mente macabra e icônica.

It: Capítulo Dois é um filme que definitivamente entretêm, sem se preocupar especificamente em dar sustos. O cuidado ao se adaptar uma das maiores obras literárias de Stephen King é o grande diferencial aqui, permitindo discussões acerca de desapego, lembranças e amadurecimento.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.