19
set
2019
Crítica: “Midsommar: O Mal não Espera a Noite”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Midsommar: O Mal não Espera a Noite(Midsommar)

Ari Aster, 2019
Roteiro: Ari Aster
Imagem Filmes

4.5

Quando Hereditário chegou surpreendendo a todos, uma coisa muitos falaram: “O cara que dirigiu essa produção é bom.” Porém, o que poucos sabiam é que o diretor estava em sua primeira produção. E agora, que ele está mais reconhecido, todos se perguntavam: o que de mais interessante ele poderia trazer? Agora, é chegada a hora de ver a resposta.

Dani Ardor (Florence Pugh) é uma menina com severos problemas pessoais. Sua vida fica ainda mais complicada depois que fica sabendo que sua família inteira morreu. Segundo relatos, sua irmã com problemas mentais conectou uma mangueira ao cano de escapamento do carro, onde uma parte ficou no quarto dos pais e a outra no quarto dela, fazendo os morrer.

Para pior ainda mais a situação, seu namoro com Christian Hughes (Jack Reynor) vai de mal a pior. Ela descobre que ele, seus amigos Mark (Will Poultry) e Josh (William Jackson Harper), foram convidados por seu amigo sueco, Pelle (Vilhelm Blomgren), para ir a uma celebração do solstício de verão na comunidade ancestral do amigo, Hårga, em Hälsingland.

Pelle explica que essa iteração ocorre apenas a cada noventa anos. Christian não conta a Dani sobre a viagem, e os dois discutem. Na tentativa de consertar as coisas, Christian relutantemente convida Dani para comparecer, com o que ela concorda.

O grupo voa para a Suécia e chega à comuna, onde conhece Simon e Connie, um casal inglês convidado pelo irmão de Pelle, Ingemar (Hampus Hallberg). Ele oferece ao grupo psilocibina e, sob a influência da droga, Dani tem alucinações de sua irmã morta. As tensões aumentam depois que o grupo testemunha um ättestupa, onde dois anciãos da comunidade cometem suicídio, saltando de um penhasco.

Algo que pode ser visto claramente em Hereditário e se repete aqui é o quesito religioso. Ari Aster, parece ter, em seu principal objetivo, tecer criticas a religiões, de uma forma geral e sempre inserir um personagem que servirá para atingir o cotidiano daqueles personagem e, drasticamente, alterar o rumo que a narrativa toma.

Outro ponto que o diretor adora abordar, agora no quesito técnico é transição do macro para o micro e vice versa. Enquanto que, em Hereditário, vemos um plano sequencia, onde vemos a casa que Annie, personagem vivida por Toni Collette, está modelando até nos inserirmos no quarto onde Peter, vivido por Nate Wolff está dormindo, aqui vemos Dani, depois de decidir ir com os garotos até a Suécia, entrar num banheiro de avião, com a câmera acompanhando num plano aéreo e vermos o quão abalado está o emocional da garota.

Em relação aos jumpscares, lamento desapontar os mais ansiosos. Se você espera sustos do nível da maioria das produções do Invocaverso, já lhe digo que você irá se decepcionar. Aqui, o clima de suspense é trabalhado de forma firme, categórica e muito intensa. Porém, há sim a presença de uma cena chocante aqui, outra ali, mas nada que dilua o filme. Isso pode ter um impacto para com os fãs do diretor que esperavam que houvesse menos necessidade cenas explicitas e mais tensão no ar.

Algo inteligentíssimo é o bom uso do fore-shadowing. Essa técnica é uma forma de o filme lhe adiantar algo que acontecerá no filme, tentando ser sutil. Aster sabe como usar esse recurso de maneira eficiente, mesmo estando um tanto explicito, porem só o espectador mais atento se dará conta do assunto abordado nesse paragrafo.

Se você só achava que o escuro daria medo, se prepare para ter medo do dia. Em nenhum momento do filme, você está a salvo. Seja noite ou dia, cada cena tem seu nível de tensão que irá colaborar para uma sensação claustrofóbica, mesmo diante de um cenário tão espaçoso e colorido.

A trilha sonora é algo incrível. A melodia é dúbia, pois uma hora nos inebria com uma aura acolhedora, porem no próximo segundo, estamos roendo a unha de preocupação sobre qual será o destino dos personagens.

As atuações são magnificas. Florence Pugh nos deixa agoniados com sua personagem que sofre o tempo inteiro. Jack Reynor é o namorado bem intencionado, porém distante emocionalmente de seu amor. Por vezes, parece até que o mesmo gosta de fazer sua namorada sofrer. William Jackson Harper até possui o papel de amigo que vai para a comunidade para entender os costumes locais, a fim de usar isso em sua tese, porém, pouco ajuda a desenvolver a trama.

Vilhelm Blomgren é o misterioso amigo estrangeiro. Mesmo tendo uma aparência bem apessoada, sempre parece estar escondendo um segredo quase inconfessável. Will Poulter é o amigo chato que só está lá para pegar mulheres. Sua participação é tão risória que ninguém dá a mínima.

Midsommar – O Mal não Espera a Noite é um filme intenso, de atmosfera similar a O Bebê de Rosemary e mostra que o diretor é competente e sabe como criticar, sem precisar ser didático. Mesmo com alguns personagens pouco aproveitados, ainda assim, o resultado sai melhor que muito filme de terror por aí apresenta.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.