19
set
2019
Crítica: “Rambo: Até o Fim”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Rambo: Até o Fim(Rambo: Last Blood)

Adrien Grunberg, 2019
Roteiro: Sylvester Stallone e Matthew Cirulnick
Imagem Filmes

3.5

John Rambo, ou simplesmente Rambo, uma lenda cinematográfica. Após quatro filmes, milhões de dólares arrecadados e uma saga bem-sucedida, Sylvester Stallone retorna ao seu icônico personagem uma última vez. Rambo: Até o Fim, com direção de Adrian Grunberg, chega com a promessa de dar um fim digno ao protagonista.

A questão é se a obra é bem sucedida em sua proposta. Agora veterano e desfrutando da paz que buscava nos longas anteriores, Rambo vive recluso em um rancho e cuida de Gabriela (Yvette Monreal), a quem se refere como algo mais próximo de uma família que já teve. Sua rotina muda bruscamente quando a garota é sequestrada por um poderoso cartel mexicano, fazendo com que o ex-soldado entre em uma fúria incontrolável.

A partir daí, Rambo passa a confrontar seu passado, revivendo suas habilidades como combatente para confrontar e eliminar seus inimigos. Uma busca que se transforma em luta por justiça.

O roteiro de Stallone e Matthew Cirulnick é eficiente, especialmente em seu primeiro ato, onde apresenta rápidas inserções de momentos marcantes dos filmes anteriores, fazendo referência às poderosas armas utilizadas por Rambo e viajando pela mente de um homem que se mostra solitário, frio, carente de carinho.

Aos poucos, no entanto, a trama excede no melodrama, principalmente quando a subtrama de Gabriela com seu pai vem à toda, sempre tratada de forma rasa, com personagens pouco empáticos e que tampouco despertam algum tipo de preocupação por parte do espectador. Ainda que Rambo seja o foco das atenções, se os personagens que motivam suas ações não conversam com o público, o problema fica evidente.

Por se tratar de um filme de despedida, em alguns momentos a carga dramática soa superficial, quando deveria ganhar organicidade junto ao adeus de tão querido personagem.

Se o sequestro de Gabriela não é capaz de provocar frenesi, as ações de Rambo fazem com que o filme ganhe aspectos nostálgicos e empolgantes. O personagem está mais contido, ressentido e preso as memórias e traumas do passado, mas nem mesmo a idade avançada de Stallone é impedimento para o que se passa a seguir.

Grande parte dos problemas deste filme se deve pela estrutura falha do roteiro, que decide seguir por um caminho inédito abrindo novos arcos ao invés de fechá-los. Com isso em mãos, o personagem de fato encontra um final de arco ideal, após cinco filmes.

Porém, a inserção de novos personagens para, então, descartá-los torna a experiência do espectador frustrante, pois não há apego emocional em relação a Gabrielle e Maria (Adriana Barraza), a não ser a tentativa de interpretação da primeira e a carga dramática da segunda, já veterana. Ainda assim, não conseguem fazer muito em cena.

O filme resgata elementos de sua primeira produção, Rambo: Programado Para Matar (1982), trazendo a tona o lado estrategista do protagonista, criando armadilhas e utilizando de armas já consagradas na franquia. A invasão à sua fazenda (algo revelado pelos trailers) dá início a um enorme massacre, com matanças do nível de Rambo IV (2008), leia-se: muitos tiros, membros decepados, sangue e muitas vísceras à mostra.

Apesar de haver autenticidade ímpar no que Sylvester Stallone faz com um de seus ícones criados para o cinema, há uma falha do roteiro em tentar transformá-lo em alguém conformado com a natureza da violência. Seguindo o estereótipo do sujeito que se transforma em anti-herói após tanto sofrer perdas pessoais, aqui ele é potencializado, ganhando cenas típicas de filmes “gore” nos quais a violência é o propósito e a natureza da ação.

Rambo: Até o Fimpresta uma bela homenagem à seu personagem título. Soma-se a isso algumas boas cenas de ação e atuações eficientes que compensam os problemas de roteiro, e temos uma despedida honesta para John Rambo. Este é o filme de despedida que acerta por ser puramente nostálgico, além de conter cenas de ação que somam a este ícone cinematográfico, elevando Stallone como um dos responsáveis pelo que o cinema de ação se transformou nos últimos quarenta anos.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.