18
out
2019
Crítica: “Zumbilândia – Atire Duas Vezes”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Zumbilândia: Atire Duas Vezes(Zombieland: Double Tap)

Ruben Fleischer, 2019
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick e David Callaham
Sony Pictures

4

Apocalipse zumbi. Nos últimos anos, essa tem sido uma temática recorrente. Seja em produções sérias como a saga Resident Evil, as HQs The Walking Dead, seja para tirar sarro do gênero como o filme Zumbilândia. Quando em 2009, o filme estreou, todos achavam que o gênero estaria saturado, porém só este ano, com Robert Kirkman anunciando o fim das HQs, vemos que nesse espaço de tempo, a coisa não mudou muito.

E agora vem a sequencia do filme. Mas será que consegue ser tão inusitada quanto seu material de origem?

O filme segue 10 anos após os eventos finais de Zumbilândia, onde nesse momento, nossos heróis nada heroicos Columbus (Jesse Eisenberg), Wichita(Emma Stone), Tallahasse (Woody Harrellson) e Little Rock (Abigail Breslin) chegam a Casa Branca e se instalam por lá. Nesse meio tempo, o grupo aprende que existe um tipo de zumbi mais rápido, mais forte e adaptável a qualquer situação, que o chamam de T-1000. Columbus tenta pedir Wichita em casamento e ela hesita. Tallahasse passa agir com um pai para Little Rock, mas a garota quer distancia dele.

As duas saem da Casa Branca e partem sem rumo. Columbus e Tallahasse perambulam pela terra sem lei e entram em um shopping onde encontram Madison (Zoey Dutch). A garota diz que conseguiu sobreviver durante esse tempo todo por estar em um freezer e logo os 3 vão para a Casa Branca. No meio da noite, Wichita volta e diz que Little Rock a abandonou por um cara que conheceram na estrada e está indo rumo a Graceland, a terra imaculada do Rei do Rock Elvis Presley. O trio, agora acompanhado de Madison, vão ao encalço da garota.

Se você estava a procura de um filme de terror, já adianto o serviço: não é este. Aqui, o foco é a comedia, sendo desde algo pastelão ao extremo, até cheia de referencias as mais diversas criticas a sociedade, além de um humor autodepreciativo da produção anterior em um determinado segmento do filme.

Porém, se por um lado, você pensa que isso significa um numero de mortes de zumbis menores, achou errado, querido otário (tava querendo mandar essa a tempos). As mortes são bem mais carregadas, o sangue escorre em profusão até sujar as lentes, as vísceras são bem mais explicitas.

Se antes o foco das piadas foi o comediante Bill Murray, com o mesmo estando envolvido na produção, aqui, a zueira será com Elvis. Nunca um filme explorou a imagem seja para idolatrar ou seja para fazer as piadas mais inacreditáveis, com Tallahasse usando a jaqueta do Rei e Columbus vestindo os sapatos de camurça azul.

A direção de arte continua impecável. O foco do primeiro filme era mostrar como a vida foi ficando difícil em pouco tempo. Aqui, vemos que a grama parou de ser verde e as plantas estão secas, marrons, grande, quase cobrindo as pernas por inteiro.

Ainda se vê as intervenções de edição onde decidem mostrar as mortes mais impressionantes e de fazer até a Física se perguntar se possível, fazendo até uma certa alfinetada em uma outra franquia especializada em cenas que até Chuck Norris choraria sangue de tão impossíveis.

Mas creio que a pergunta que você se faz é: será necessário eu ver o primeiro a fim de entender o segundo? Já aviso: não. O roteiro insere até mesmo o espectador que nem sequer sabia da existência de um primeiro se centrar na nova produção em pouco.

As atuações são incríveis. Jesse Eisenberg já está no piloto automático quanto a humor. Quando está em comedias, os filmes tentam sempre coloca-lo como deslocado, controlador, carente e cheio de manias. É manjado, mas visto que é assim em quase todas as produções de comédias, não é possível reclamar. Emma Stone age como o contraponto de Eisenberg: decidida, fria, calculista, sarcástica e sempre sabe o que falar. Woody Harrellson é aquele amigo chato, porém ainda existe afeição pelo mesmo. Vez ou outra, tenta fazer as vezes de pai de Little Rock, deixando a garota irritada.

Abigail Breslin infelizmente mostra pouco serviço. Antes era super determinada e disposta a tudo para se dar bem ao lado da irmã, mas só volta a ter importância no roteiro a partir do terceiro ato e acaba sendo subutilizada, visto que já teve seu grau de importância em produções mais contidas como Pequena Miss Sunshine. Zoey Dutch serve como alivio comico pastelão e teoricamente seria vista como a mais frágil do grupo e usada como bode expiatório para ter uma menina mais “bonita” no grupo. Porém, consegue se fazer presente e ser vista como uma personagem interessante.

Rosario Dawson serviria para ser o interesse romântico de Tallahasse e tem sua carga de importância.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes é um filme escapista. Não será o filme mais hilário da sua vida, mas terá momentos muito bons e sem tratar o espectador como burro.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.