12
nov
2019
“30 Dias de Noite” e o lugar perfeito para um banquete dos vampiros!
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Rayane Taguti

30 Dias de Noite

Steve Niles e Ben Templesmith 
DarkSide Books, 368 páginas
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3.5

Este livro é uma cortesia da editora Darkside Books.

30 Dias de Noite, tanto o quadrinho (2002) quanto a adaptação cinematográfica (2007), trouxeram vampiros do mundo inteiro para Barrow, Alasca, uma cidade que, por conta de sua localização, não vê o sol de 18 de novembro a 17 de dezembro todos os anos. Porém, a história não acaba com o ressurgimento do sol em Barrow, e a série continua nos quadrinhos com Dark Nights (2003) e Return to Barrow (2004), juntados na versão de capa dura publicada em 2019 no Brasil pela DarkSide Books.

A primeira parte de 30 Dias de Noite nos apresenta a congelante cidade de Barrow alguns dias antes de o sol desaparecer por um mês. Somos introduzidos a alguns personagens da cidade, entre eles Eben e Stella Olemaun, casal de xerife e delegada. Rapidamente o leitor entende que a trama principal é o eminente banquete de sangue que os vampiros do mundo inteiro planejam ter com os habitantes de Barrow durante esses 30 dias no escuro, algo que não é tão óbvio para o casal Olemaun, que se encontra sem entender o que está acontecendo quando todos os meios de comunicação começam a falhar e se escondem junto com algumas pessoas em uma espécie de bunker. Enquanto isso, um verdadeiro massacre ocorre na cidade, usando de um grafismo sanguinário e bastante explícito, com muitos dentes pontiagudos, rostos de vampiros distorcidos e sangue por todos os lados.

Paralelamente à história do xerife e da delegada, ainda temos a personagem de Jennifer que envia seu filho de helicóptero para Barrow na tentativa de fotografar a existência dos vampiros; e Vicente, um vampiro ancião, que entende todo esse banquete como algo perigoso para sua espécie e planeja matar todos os cidadãos e queimar a pequena cidade do Alasca a fim de não restar nenhuma prova de sua existência ou passagem por ali. Ao descobrirem que a cidade está sendo atacada por vampiros, Eben se sacrifica ao se transformar ele mesmo em um vampiro para proteger os habitantes de Barrow.

Em Dark Nights, segunda parte da trilogia, a história foca muito mais em Stella Olemaun após o ataque em Barrow e após ter perdido o seu marido. A ex-delegada escreve um livro sobre tudo o que aconteceu na cidade do Alasca nos últimos 30 dias sem a luz do sol com o objetivo de revelar a existência dos vampiros para o mundo e também para acabar com a raça que matou o seu marido, Eben. Porém o livro é publicado com o selo de ficção e a noite de autógrafos planejada como uma emboscada para os sanguinários sai pela culatra, fazendo Stella perder o apoio da editora.

Apesar de os humanos acreditarem que o livro não passa de uma ficção e a ameaça agora ser apenas uma humana, os vampiros não imaginavam quanto dano para a espécie a ex-delegada poderia causar. Em uma aliança inesperada entre Stella, Jennifer e Dane, um vampiro que tenta controlar seus impulsos e que desenvolve um certo romance com Olemaun, Stella recupera as cinzas de seu marido após descobrir como ressuscitá-lo.

Já em Return to Barrow o protagonismo não está mais em nenhuma parte do casal Olemaun e sim com os cidadãos de Barrow, Alasca, alguns anos após o primeiro ataque dos vampiros. Acompanhamos Brian Kitka, que, com um desejo enorme de entender o que aconteceu com seu irmão há três anos, se torna o novo xerife da cidade apenas uns dias antes do dia 18 de novembro. Quando a ameaça de ataque se torna iminente, os habitantes da cidade se mostram cada vez mais preparados, com muitas armas e luzes que simulam os efeitos do sol na pele dos vampiros. O que ninguém esperava é que os seres da noite também se equiparam com o mesmo tipo de armamento. Pegos de surpresa, Brian Kitka e companhia se veem cada vez mais enrascados e sem esperanças. No meio disso tudo, surge um novo tipo de protetor.

A história da HQ é bem interessante, apesar de os diálogos não serem um ponto forte – são demasiado curtos e várias vezes são inseridos em momentos deslocados. O clímax da terceira parte, Return to Barrow, também não foi muito bem desenvolvido, deixando o final da série muito abrupto e causando estranheza no leitor (“como assim termina desse jeito?”). Em compensação, os desenhos de Ben Templesmith são de tirar o fôlego. Os rabiscos com uma pegada surrealista, meio borrados, dificultam entender qual personagem estamos vendo, mas não prejudica o entendimento da história de forma alguma, e inclusive intensifica o mergulho no quadrinho.



Fã de todas as artes, tento atuar em cinema, música e literatura. Atualmente curso Cinema e Audiovisual na FAP. Do cult ao farofa, da nouvelle vague ao trash, do comercial ao experimental, curto tudo que gere uma conversa de bar ou uma crítica pro site.