07
nov
2019
Crítica: “Doutor Sono”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Doutor Sono (Doctor Sleep)

Mike Flanagan, 2019
Roteiro: Mike Flanagan
Warner Bros. Pictures

4

O Iluminado. Um dos filmes mais controversos da extensa filmografia de obras adaptadas de Stephen King, mesmo sendo odiada pelo criador, ainda assim, é largamente elogiada como uma das melhores obra do terror, seja pela sua atmosfera inquietante, seja pelo grande grau de perfeccionismo das cenas feitas por Stanley Kubrick, um dos maiores e mais polêmicos gênios da sétima arte.

Entretanto, esse filme num futuro seria refeito da maneira como King havia estabelecido numa minissérie para a TV seguindo a risca o livro, mesmo assim, a produção foi considerada inferior a obra de Kubrick. Porém, livrando quem assistiu a produção e logo ficou com um gosto amargo, conseguiu se aliviar com o grande mestre trazendo uma continuação de sua obra pouco tempo depois.

E agora, ela está chegando aos cinemas. Mas será que ela consegue se segurar mesmo vindo de um filme que muitos consideram irretocável?

Em 1980, algum tempo depois de escapar do Hotel Overlook, Danny Torrance (Danny Lloyd/Roger Dale Floyd) e sua mãe Wendy (Alex Essoe/Shelley Duvall) vivem na Flórida. Danny, marcado por suas experiências no hotel, é assombrado por um de seus fantasmas – a mulher apodrecida do quarto 237. Ele é ensinado pelo fantasma de Dick Hallorann (Carl Lumbly) a trancar esses fantasmas em “caixas” imaginárias em sua mente.

Enquanto isso, um culto conhecido como Verdadeiro Nó, liderado por Rose Cartola (Rebecca Ferguson), se alimenta de “vapor” produzido pelos momentos de morte de pessoas com a habilidade “iluminada” que Danny também possui.

Em 2011, Danny (Ewan McGregor) ainda está traumatizado com seu tempo no Overlook, e se tornou alcoólatra para suprimir seu brilho. Ele se muda para uma cidade pequena e faz amizade com Billy Freeman (Cliff Curtis), que consegue um emprego e se torna seu patrocinador de AA. Danny começa a melhorar e logo encontra um emprego em um hospício; ele usa suas habilidades para confortar pacientes que estão morrendo, que lhe dão o apelido de “Doutor Sono”.

Ele começa a receber comunicações telepáticas de Abra Stone (Kyliegh Curran) uma jovem cujo brilho é ainda mais poderoso que o dele. Rose recruta uma adolescente chamada Andi Cascavel (Emily Alyn Lind) para o culto depois de observar sua capacidade de controlar telepaticamente as pessoas.

Em 2019, o Nó, que se alimenta de vapor para retardar o envelhecimento, está morrendo de fome. Eles sequestram um garoto chamado Bradley (Jacob Tremblay), torturando-o até a morte para extrair o máximo de vapor possível. Abra percebe o evento e sua angústia alerta Danny e Rose. Rose está de olho em Abra, planejando extrair seu vapor para sustentar o culto.

Percebendo que Rose está atrás dela, Abra visita Danny, que insiste que ela fique longe e evite chamar atenção para si mesma. Naquela noite, Rose se projeta astralmente na mente de Abra, mas fica surpresa quando a garota consegue prendê-la e entra brevemente na mente de Rose. Ferida, Rose retorna ao seu corpo e envia o Nó Verdadeiro para capturar Abra.

Apesar de começar a trama com um ritmo lento e muito fragmentado, contando várias histórias paralelas que podem distrair o público, Doutor Sono consegue amarrar essa colcha de retalhos de maneira louvável, rendendo uma narrativa complexa mas de fácil entendimento que brinda o espectador com uma história densa, dramática e extremamente assustadora. São 2 horas e 31 minutos de filmes que você nem percebe passar, o que é sempre um bom sinal.

Além de uma direção extremamente rebuscada e estilosa, a produção ainda conta com um elenco estupendo. A sempre maravilhosa Rebecca Ferguson é a melhor coisa do filme. Encarnando o papel da antagonista, Rose, Ferguson dá vida a uma personagem cheia de camadas que pede por uma atuação assertiva, e a atriz entrega aqui o melhor desempenho de sua carreira. Se Ferguson não conseguisse entregar a personagem em seu tom ideal, o filme certamente não funcionaria.

Ewan McGregor está ótimo como o problemático protagonista Danny, mas é ofuscado pela estreante Kyliegh Curran – irretocável como a jovem Abra. Guarde o rosto dessa garota, porque ela vai longe!

Em um ano em que tivemos as adaptações de Cemitério Maldito e IT – Capítulo 2, Doutor Sono é definitivamente meu preferido.

Unindo os elementos do livro O Iluminado e do filme de Kubrick, o terceiro ato da produção é um gigante fan-service para os adoradores da franquia, com direito a inúmeros easter eggs, referências, aparições surpresas e cenas que te deixarão tenso. É um deleite reviver toda a nostalgia do original, enquanto temos um sopro inovador com uma história que foge totalmente da caixinha e da fórmula dos filmes de suspense que Hollywood tem nos entregado nos últimos anos.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.