07
nov
2019
Crítica: “Link Perdido”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Link Perdido (Missing Link)

Chris Butler, 2019
Roteiro: Chris Butler
Disney

4

Laika Studios. Depois de ganhar notoriedade fazendo filmes com temáticas de terror como Coraline e Paranorman, o estúdio começou a explorar outros gêneros, como fantasia, ação e mais recente comédia. Um dos poucos estúdios que ainda se utilizam de stop-motion, junto do estúdio Aardman, que produziu filmes como A Fuga das Galinhas, Wallace e Gromit – A Batalha dos Vegetais, Por Água Abaixo, Shaun, o Carneiro – O Filme.

Essa técnica fez com que muitos nomes hoje reconhecidos da indústria como Henry Selick, diretor de filmes como O Estranho Mundo de Jack e James e o Pêssego Gigante tivessem seu lugar, assim como Tim Burton, sendo este o mais lembrado pelos filmes já mencionados e outros como Frankenweenie e A Noiva Cadáver.

Eis que vemos a mais recente produção desse singelo mais competente estúdio sair do papel, mas será que vale a pena?

Estamos em 1886. Sir Lionel Frost (Hugh Jackman), um investigador de criaturas míticas tem problemas em apresentar suas descobertas ao mundo e finalmente ser aceito na Sociedade dos Grandes Homens, liderada por seu rival, Lord Piggot-Dunceby. Algum tempo depois, Frost recebe uma carta dizendo que o Pé Grande foi avistado nos EUA. Para tanto, ele faz um trato com Dunceby onde se ele mostrar que a criatura existe, ele finalmente será aceito.

Algum tempo depois, Frost encontra a criatura e a mesma lhe informa que fora ela que escrevera a carta. Porém, ela tem um objetivo: ir até o Himalaia e viver com seus “parentes”: os Yetis. Para isso, Lionel e Sr. Link (nome dado a criatura por Lionel) vão até a casa de Adelina Fortnight, um dos antigos amores de Lionel, para pegar o mapa que o marido dela fez para ir até o Himalaia. Ela não o perdoa por ter perdido o funeral de seu marido. Os dois são expulsos, mas voltam durante a noite, fazem o maior estardalhaço, mas pegam o mapa.

Na manhã seguinte, Adelina segue ao encalço da dupla, mas logo são emboscados por Willard Stenk, um caçador de recompensas contratado por Dunceby. O agora trio despista Stenk e seguem rumo ao seu destino.

Acho que já soa quase desnecessário dizer que é mais uma trama sobre autoconhecimento, auto aceitação, mas tem seu charme e elegância. Soa pedante por vezes, mas nada muito ridículo ou por vezes, infantilizado. É possível notar um certo ar de crítica social, visto que o filme tenta de forma sutil dar uma alfinetada num certo grupo que ronda a internet e o mundo acadêmico em uma menor expressividade que tenta revisar a história, dizendo que os homens não tem ancestrais menos involuídos.

O humor é uma característica marcante da produção. O grande trunfo é ter seu elenco que sabe bem aproveitar as piadas. Porém, vale ressaltar: não será a ultima vez que veremos piadas de peido num filme de animação. Mas, mesmo assim, não é algo que possa tirar o brilho da produção.

Agora, em termos de animação, só digo palmas para todos. A fluidez de cada movimento é de uma plasticidade incrível. Num mundo onde cada vez mais a animação computadorizada domina mais e mais as telas de uma maneira geral, é bom vermos que ainda existem estúdios interessados em stop-motion, mesmo sendo um processo longo e muito trabalhoso, ainda mais nos dias atuais.

A direção de arte é um deleite. Desde os cenários mais incríveis como as selvas, as montanhas do Himalaia até o mais simples dos cômodos, é incrível a quantidade de detalhes construídos a fim de enriquecer e imergir o espectador na experiência. Em certo momento, parece que vemos uma versão revitalizada de A Volta ao Mundo em 80 Dias.

O elenco é um show a parte. Hugh Jackman/Hercules Franco arrasam na pele de Lionel. Arrogante, um tanto esnobe, mas ainda assim, possuii um grande coração. Zack Galifianaks/Ricardo Sawaya roubam a cena com Pé Grande/Link/Susan (vão ter de ver o filme para entender). O tipo de humor que o comediante já fazia aqui consegue ser extrapolado em vários sentidos, mas não esperem piadas pesadas como as da trilogia Se Beber, Não Case.

Zoe Saldana/Samira Fernandes dão o ar de sua graça com Adelina. Mesmo sua personagem só passando a ter mais protagonismo ao 3º ato, ainda assim se torna rapidamente cativante e hilária na mesma medida que seus parceiros. Stephen Fry/Luis Carlos de Moraes são perfeitos como Dunceby. Seu tipo de atuação é mais comedida, porém ainda tem a áurea de vilão comumente conhecido.

Emma Thompson tem sua participação na trama, mas são pouquíssimas cenas que fica difícil avaliar.

Link Perdido decidamente não é a animação mais original que você verá este ano. Mas visto que este ano, foram poucas as animações realmente empolgantes, vale a pena dar uma conferida, nem que seja para aliviar a cabeça por uma hora e meia.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.