02
dez
2019
BTK: porque o caso de Dennis Rader chocou toda a sociedade americana?
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Hanon Arthur

BTK: máscara da maldade

Roy Wenzl, Tim Potter, Hurst Lavina, L. Kelly
Darkside, 404 páginas
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4.5

Os seriais killers sempre foram um tabu para a sociedade. Estudá-los ou se interessar por suas histórias pode ser muito mal compreendido por algumas pessoas, principalmente quando se trata de alguém tão cruel e grotesco como Dennis Rader, mais conhecido como BTK, sigla em inglês para amarrar, torturar e matar.

A história de BTK chocou os Estados Unidos, quando ele foi descoberto em 2005, depois de quase trinta anos aterrorizando a pequena cidade de Wichita, no Kansas. Dennis Rader “brincou”, não só com as suas vítimas, mas com as autoridades e imprensa locais, no qual ele manipulou nesses trinta anos em que agiu.

A história de BTK voltou aos holofotes depois da série Mindhunter, produzida e disponibilizada pela Netflix em que seu caso ganha uma atenção especial. Não por acaso, já que ele seja, talvez, o serial killer mais sádico de todos os tempos.

É curioso notar como Dennis Rader era um cidadão americano comum, acima de qualquer suspeitas. Pai de família, frequentador assíduo da igreja de sua comunidade e elogiado por todos os que o conheciam, ninguém acreditou quando a polícia e o jornal de Wichita noticiaram a história do assassino em série mais cruel de todos os tempos. Por isso o livro, escrito por Roy Wenzl, Tim Potter, Hurst Laviana e L. Kelly tenta esmiuçar cada detalhe do caso.

O trabalho é muito rico, primeiro porque esses quatro nomes foram protagonistas diretos nas investigações, que duraram décadas e porque Dennis Rader fazia questão de documentar cada assassinato em seus mínimos detalhes, para seu próprio deleite. Pesa também o fato de que Rader detalhou cada detalhe para a polícia.

A obra acerta em não criar, na figura curiosa de BTK, um personagem digno de compaixão e compreensão. Muito pelo contrário, a história dá bastante protagonismo para os investigadores, deixando de lado o clichê do serial killer incompreendido. É importante ressaltar esse aspecto, pois os seriais killers costumam, com muita inteligência, apelar para o lado humano das pessoas. Por isso é muito fácil cair nesse clichê. 

O livro procura também entender como o pai de família Dennis Rader foi capaz de tamanhas barbaridades, além do fato de ele ter agido por quase trinta anos, entre 1978 e 2005, de maneira extremamente irregular. Porque além do psicopata, existia um cidadão que se esforçava em viver acima de qualquer suspeita e isso é fundamental para entender o porque desse período tão longo em que ele esteve em atividade. É importante ressaltar a série Mindhunter mais uma vez, pois o livro funciona como um complemento rico à série.

A obra ainda está em produção e alguns episódios deixam a entender que a história de BTK será explorada mais a fundo nas próximas temporadas. Não é por acaso que Dennis Rader é tratado de maneira especial na série, pois sua história é, sem dúvida nenhuma, a mais bizarra e complexa de todas as histórias de seriais killers americanos.



Sou bacharel em História pela Universidade de São Paulo e atualmente curso Cinema na Faculdade de Artes do Paraná. Tenho 23 anos. Essas informações não significam nada, só estou aqui por ser amigo do Matheus Benjamim. Meus gostos são bem voláteis, mas atualmente meus diretores favoritos são Orson Welles, Paul Thomas Anderson e Yorgos Lanthimos. As vezes eu fico meio rabugento quando escrevo, então peço que relevem.