06
dez
2019
Crítica: “Frozen 2”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2020 • Postado por: Rafael Hires

Frozen 2

Chris Buck e Jennifer Lee, 2019
Roteiro: Jennifer Lee
Disney

4

A neve branca brilhando no chão, sem pegadas para seguir
Um reino de isolamento e a rainha está aqui.
A tempestade vem chegando e já não sei
Não consegui conter, bem que eu tentei.
Não podem vir, não podem ver,
Sempre a boa menina deve ser.
Encobrir, não sentir, nunca saberão
Mas, agora, vão.
Livre estou, livre estou, não posso mais segurar,
Livre estou, livre estou, eu saí pra não voltar.
Não me importa o que vão falar, tempestade vem,
O frio não vai mesmo me incomodar…

Creio que vários papais, mamães, titios, vovôs, vovós já devem estar com os ouvidos doendo de tanto ver suas pimpolhos cantarem a plenos pulmões as músicas. Não era pra menos. Depois de basicamente ser o clássico Disney mais amado dos últimos anos, conquistado mais US$ 1 bilhão nas bilheterias, superando o recorde estabelecido até então por Toy Story 3, de outro estúdio da Casa do Camundongo, a Disney necessitava de uma animação bilionária pra chamar de sua.

Além desses feitos, a animação conseguiu vários prêmios como Globo de Ouro e Oscar, além de ter virado um hino feminista e LGBT, tanto que os mais fanáticos insistiram para que Elsa, a primeira rainha da Disney, tivesse um par romântico gay.

Mas, será que a dona de todas as corporações do nosso mundo, decidiu atender a esse pedido?

O rei Agnarr de Arendelle conta uma história para seus filhas pequenos, Elsa e Anna, de que seu avô, o rei Runeard, estabeleceu um tratado com a tribo de Northuldra, construindo uma represa em sua terra natal, a Floresta Encantada. No entanto, uma luta ocorre, resultando na morte de Runeard. A batalha enfurece os espíritos elementares da terra, fogo, água e ar da floresta. Os espíritos desaparecem e uma parede de névoa prende todos na Floresta Encantada. O príncipe Agnarr, filho de Runeard, mal escapa devido à ajuda de um salvador desconhecido.

Três anos após sua coroação, Elsa celebra o outono no reino com Anna, Olaf, Kristoff e a rena Sven. Quando Elsa ouve uma voz misteriosa chamando por ela, ela a segue e desperta involuntariamente os espíritos elementares, o que força todos no reino a evacuar. Grande Pabbie e a colônia de trolls chegam a Arendelle e Pabbie informa que eles devem consertar as coisas descobrindo a verdade sobre o passado do reino.

O quarteto embarca na Floresta Encantada, seguindo a voz misteriosa. Depois que a névoa se parte ao toque de Elsa, o espírito do ar, na forma de um tornado, aparece e varre todos no seu vórtice. Elsa o interrompe, formando um conjunto de esculturas de gelo. As irmãs descobrem que as esculturas são imagens do passado de seu pai e que sua mãe, a rainha Iduna, era uma nórdica que salvou Agnarr.

Eles encontram os Northuldra e uma tropa de soldados de Arendell que ainda estão em conflito um com o outro antes que o espírito do fogo apareça. Elsa descobre que o espírito é uma salamandra mágica agitada e o acalma. Elsa e Anna organizam uma trégua entre os soldados e os Northuldra, explicando que sua mãe era de Northuldra e seu pai era de Arendell. Elsa mais tarde descobre a existência de um quinto espírito que unirá as pessoas e a magia da natureza.

O roteiro busca agora expandir os conceitos anteriormente apresentados como a magia inesperada de Elsa, além de evidente tentar explicar alguns pontos divergentes no roteiro que acabaram sendo pináculos para teorias completamente esdruxulas na internet como onde teriam ido parar os pais de Anna e Elsa depois do acidente do barco. Além disso, o filme busca tratar de fornecer um par romântico a Anna, que já havia sido, de certa forma no filme anterior, flertado. E vemos nosso boneco de neve mais fofo tendo alguns problemas em lidar com mudanças.

Mas nem só de acertos vivemos. Existem severas duvidas deixadas na produção que, talvez, sejam sanadas num futuro terceiro filme. E infelizmente, isso pode se concretizar, visto que a animação tem um potencial gigantesco de conseguir superar a bilheteria de seu antecessor.

Quanto ao quesito animação, acho dispensável falar do quão está maravilhoso. O estúdio aprimorou ainda mais os efeitos dos poderes de Elsa. A extensão dos mesmos é sem limite. O estúdio está usando a técnica de partículas para deixar os efeitos incríveis e tão impressionantes quanto no primeiro filme. Neste filme, a quantidade de efeitos subiu e vemos mais elementos como vento, água, fogo e pedras, cada um com seu modo de agir e todos bem feitos, sem botar defeito.

A trilha sonora é impecável. Quem já estava com dores de ouvidos de tanto escutar, se prepare. As novas musicas são tão viciantes quanto as do primeiro filme. Então já vai a recomendação do tio: compra o CD ou procura as músicas no Spotify pra já dar conta da criança. Em especial, há um certo elemento sonoro que possui uma certa semelhança com uma faixa de outra grande produção da casa, porém que só os mais atentos irão perceber.

A direção de arte é inquestionável. As cores e o modo como elas se conversam fazem esse filme ser muito mais caloroso (desculpa o trocadilho, vou ser congelado e já volto) do que o filme, visto que há uma presença de tons mais quentes e alguns pasteis que tornam a paleta mais rica e mais diferenciada.

A dublagem não há o que discutir. O elenco anterior retorna em grande estilo. Kirsten Bell/Erika Menezes volta as vezes de Anna, que tenta fazer de tudo para não perder sua irmã. Idina Menzel/Taryn Szpilman fazem uma Elsa com muito mais duvidas tentando entender o que aconteceu ao passado de seu povoado. Jonathan Groff/Raphael Rossatto volta como Kristoff, o bem intencionado, porém de pouco traquejo social, amigo que agora que ser mais que amigo. Josh Gad/Fábio Porchat continua sensacional na pele de Olaf. Mesmo o ingênuo boneco sendo novato em muitas questões, ainda assim, o mesmo tem dificuldades em amadurecer.

Frozen 2 é a continuação que vários queriam e que muitos tinham medo de que pudesse arruinar o que havia sido feito originalmente. Mesmo com alguns furos e coisas mal explicadas aqui e ali, ainda assim, é uma continuação acima da média da maioria que o estúdio já produziu em sua carreira.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.