28
dez
2019
Crítica: “Star Wars – A Ascenção Skywalker”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2020 • Postado por: Rafael Hires

Star Wars: A Ascensão Skywalker (Star Wars: The Rise of Skywalker)

J.J. Abrams, 2019
Roteiro: J.J. Abrams e Chris Terrio
Disney

2

Star Wars é um fenômeno cultural. Desde 1977, a franquia de George Lucas consegue se manter interessante, inovadora e, claro, gerando grana a todo momento. Depois da compra da Lucasfilm em 2013, uma nova trilogia estava sendo planejada. Mesmo a contragosto de vários que haviam ficado com rusgas causadas pela trilogia 2000 e pelas alterações que o mesmo havia feito nos primeiros filmes, seja alterando eventos ou adicionando detalhes totalmente desnecessários. O primeiro filme da nova leva, O Despertar da Força, conseguiu a façanha de superar os US$ 2 bilhões numa época onde apenas dois filmes haviam conseguido. O segundo da trilogia, Os Últimos Jedi continuou a história iniciada em 2015, porém a fanbase ficou dividida com o resultado apresentado e muitos achavam que a saga estava fadada ao fracasso, mesmo faturando mais de US$ 1 bilhão.

Eis que a saga volta para o “ultimo” capitulo da saga da família Skywalker iniciada lá em 77. Será que os problemas de Os Últimos Jedi foram contornados de forma satisfatória ou o filme foi jogado no lixo?

Após uma transmissão do falecido Imperador Palpatine (Ian McDiarmid), Kylo Ren (Adam Driver) obtém um dispositivo Sith Wayfinder no planeta Mustafar, levando-o ao planeta desconhecido Exegol. Lá, ele encontra Palpatine, que revela que ele criou Snoke (Andy Serkis) omo um fantoche para controlar a Primeira Ordem e atrair Kylo para o lado negro. Palpatine revela uma armada secreta de Star Destroyers e diz a Kylo para encontrar e matar Rey (Daisy Ridley) que continua seu treinamento Jedi a líder da Resistência Leia Organa (Carrie Fischer). Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) entregaminformações de um espião que Palpatine está em Exegol.Rey aprendeu com as anotações de Luke Skywalker que um Sith Wayfinder pode levá-los até lá. Leia revela que um aliado em Pasaana pode ser capaz de ajudar. Rey, Finn, Poe, Chewbacca, BB-8 e C-3PO partem na Millennium Falcon.

O grupo encontra Lando Calrissian (Billy Dee Williams), que os aponta para a última localização suspeita do Wayfinder. Kylo descobre onde Rey está através de sua ligação da Força e viaja para lá com os Cavaleiros de Ren. Rey e os outros descobrem os restos mortais do assassino Ochi, seu navio, droide e punhal inscrito com o texto de Sith, que a programação do C-3PO o proíbe de interpretar. Sentindo que Kylo está por perto, Rey vai confrontá-lo. A Primeira Ordem captura a Falcon, Chewbacca e a adaga; Rey, tentando salvar Chewbacca, acidentalmente destrói um transporte de Primeira Ordem com um raio da Força. O grupo escapa na nave de Ochi, presumindo que Chewbacca morreu na explosão.

Após os eventos de Os Últimos Jedi, dirigido por Rian Johnson, os fãs se dividiram entre os que gostaram muito dos novos conceitos que o diretor tentou abordar e os que odiaram o filme e chegaram até a fazer petições para que ele fosse excluído do cânone da saga. Fato é que Rian tentou quebrar o paradigma de que ninguém é 100% bom ou mau na galáxia muito, muito distante. Com a repercussão mista do longa, a Disney correu atrás de J.J. Abrams, que dirigiu o Episódio VII – dono de um maior índice de aceitação do público -, para comandar a última aventura dos Skywalker.

A escolha de J.J. resultou em uma mudança clara de tom, deixando o mistério e a incerteza de lado para voltar com um ar mais esperançoso e repleto de aventura. Grande parte dos caminhos traçados por Rian Johnson foram deixados de lado, com exceção da abordagem de Rey e Kylo Ren em relação à Força, e a trama voltou a focar nos mistérios apresentados em ‘O Despertar da Força‘. A sensação, inclusive, é que o Episódio IX é uma continuação direta do Episódio VII. Com isso, enfim vemos os Cavaleiros de Ren em ação, entramos mais na relação de conflito de Kylo Ren e enfim temos a solução da maior pergunta feita nessa nova trilogia: “qual o sobrenome da Rey?”.

O roteiro é bem previsível e acaba sendo o ponto fraco do filme, mas não chega a comprometer o longa porque ele não é ruim. Só é simples e previsível. Porém, o capítulo final é muito bem executado. Abrams aposta na sinergia do elenco e no carisma dos atores para segurar parte da trama e usa muitos “fan-services” ao longo da história. O ato final é de arrepiar e consegue tirar o fôlego do espectador. Claro que as decisões de Rian obrigaram J.J. a buscar outros caminhos, como a própria volta do Imperador Palpatine, e ter de lidar com a General Leia, já que Carrie Fisher faleceu em 2016 e sua personagem não teve um final no Episódio VIII. Mas ainda assim, o diretor soube fazer algo coerente e atrativo.

Um dos grandes destaques do filme é o Finn, que cresce muito como personagem após aceitar que não há como fugir do seu destino. Ele assume um papel de herói e continua com muito carisma. O visual é um espetáculo e consegue chocar em alguns momentos. Há uma sequência em meio a um festival que é simplesmente linda. Além disso, armas e artefatos vindo dos videogames e quadrinhos enfim debutam nas telonas.

Dentre todos os capítulos da polêmica nova trilogia, A Ascensão Skywalker é o mais emocionante e divertido. E mesmo sem inovar, consegue finalizar com maestria os arcos dos personagens mais amados do cinema de fantasia espacial.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.