31
jan
2020
“Killer Clown” – A inspiração real para os mais assustadores palhaços do cinema
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Rayane Taguti

Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino

Terry Sullivan e Peter Maiken
DarkSide Books, 432 páginas
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3.5

Este livro é uma cortesia da editora DarkSide Books.

Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino (2019) nos traz a história de John Wayne Gacy, cidadão modelo e ativo, empresário de sucesso e palhaço voluntário do hospital. Apesar de essa ser uma das pouquíssimas menções à palhaço em toda a história – e de Gacy não usar de seu personagem Pogo para a o assassinato de 33 jovens – foi o suficiente para ficar conhecido como o Palhaço Assassino.

Os primeiros capítulos do livro nos apresentam à história do último dia que Robert Piest, um adolescente de 15 anos, foi visto na cidade de Des Plaine, Illinois, pouco antes do Natal de 1978. A partir daí, Terry Sullivan, autor do livro e promotor do caso de John Gacy, reconstrói toda a investigação, com detalhes tão específicos que, em alguns momentos, torna a primeira parte do livro Investigação, um pouco maçante. Acompanhamos alguns dos detetives da delegacia de Des Plaines (Greg Bedoe, Mike Albrecht, Dave Hachmeister, Larry Finder, entre outros) enquanto ficavam na cola de Gacy após ele ser considerado o suspeito número um do desaparecimento de Robert Piest.

O livro de 432 páginas descreve, nessa primeira parte de aproximadamente 270 páginas, o passo a passo da investigação até a captura do palhaço assassino. São tantas pistas expostas de forma cronológica que nos faz sentir como se fossemos parte da equipe de detetives. Depois da leitura, fica quase difícil imaginar que tantas ações ocorreram por volta de quatro a cinco dias até desmascararem o assassino. É também na primeira parte do livro que descobrimos como eram executadas as aproximações com as vítimas e como tudo levava à morte delas. Gacy tinha um padrão de vítima que consistia em meninos adolescentes ou jovens, geralmente atraídos por festas, bebidas, drogas ou emprego em sua empreiteira. Às vezes também caçava por garotos em ruas conhecidas pelo seu público gay. Apesar de nunca admitir ser homossexual e ainda se sentir bastante irritado com esse tipo de afirmação, John Gacy propunha interações sexuais – algumas vezes em troca de dinheiro, outras vezes por brincadeira, e muitas vezes por estupro, podendo ser seguido por homicídio ou não. Também costumava se identificar como policial quando não tinha relação nenhuma com os garotos, para que não tentassem procurar a polícia após o sexo não consentido. John foi preso ao descobrirem que existiam corpos enterrados embaixo de sua casa.

Na segunda parte do livro, Julgamento, acompanhamos as seis semanas de acusação da promotoria e defesa de John Gacy contra a condenação pelos 33 casos de assassinato. A defesa mirou no veredito de insanidade, tentando mostrar que Gacy não tinha consciência da ilicitude e, portanto, não seria responsável por seus atos, devendo permanecer em tutela do sistema de saúde mental do estado, não na prisão, muito menos ser condenado à morte. Já a promotoria fez de tudo para provar que Gacy tinha sim consciência de cada vida que tirou ou cada dano causado às pessoas que traumatizou. Depois de centenas de testemunhas, o júri declarou John Wayne Gacy culpado e condenado à morte. Ele passou 14 anos na prisão aguardando a concretização do veredito e foi a segunda pessoa a ser executada após o retorno da lei no estado em 1977.

Até hoje o caso de John Gacy é lembrado e o próprio autor não considera que está definitivamente fechado. Com o avanço da tecnologia, é possível verificar se o DNA de pessoas desaparecidas é compatível com algum dos corpos não identificados encontrados na casa do palhaço assassino, como aconteceu com uma das vítimas em 2012. Até a publicação da revisão do livro, ainda haviam sete corpos não identificados e a suspeita de outros enterrados em um endereço antigo de Gacy. Sullivan também refletiu, ao final do livro, sobre a fé em Deus, sobre a inocência perdida e como o caso afetou sua vida profissional e pessoal.

Killer Clown definitivamente não é a escolha para quem quer entrar na cabeça de John Wayne Gacy ou entender mais sobre suas vítimas. Para quem gosta de investigações criminais, é perfeito e riquíssimo em detalhes. De qualquer forma, qualquer pessoa que entrar em contato com o livro ficará, de alguma forma, afetado com a capacidade de uma pessoa tão, aparentemente, comum, empática e querida, ser, na verdade, um cruel assassino.



Fã de todas as artes, tento atuar em cinema, música e literatura. Atualmente curso Cinema e Audiovisual na FAP. Do cult ao farofa, da nouvelle vague ao trash, do comercial ao experimental, curto tudo que gere uma conversa de bar ou uma crítica pro site.