30
jan
2020
“Tokyo Ghost” e uma grande alfinetada ao nosso consumo desenfreado do entretenimento como ferramenta de escape da realidade!
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Rafael Hires

Tokyo Ghost

Rick Remender, Matt Hollingsworth, Sean Murphy, Rus Wooton e Sebastian Girner
DarkSide Books, 272 páginas
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3.5

Este livro é uma cortesia da DarkSide Books.

A tecnologia nos últimos anos transformou cada vez mais diferentes aspectos da vida humana. Para alguns, é quase impossível desvencilhar de um smartphone, tablet, computador, entre outros dispositivos. Porém, existe sempre uma obra para mostrar uma realidade onde as pessoas são viciadas em tecnologia, como o subgênero cyberpunk.

E várias grandes obras estiveram nesse subgênero como Akira, Alita, Cowboy Bebop, Ghost In The Shell, a série de livros Fundação, de Isaac Asimov, a série Duna, de Frank Herbert, Neuromancer, de William Gibson, assim como o supra clássico Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, que inspirou o filme Blade Runner, Full Metal Alchemist, o universo Matrix, das irmãs Wachowski e muitas outras.

Eis que recentemente a DarkSide Books lançou uma obra com esse imaginário, vinda da editora Image Comics. Mas será que vale a pena?

Estamos em 2089. O mundo foi completamente dominado pela tecnologia. Os humanos ficaram escravos da tecnologia e do entretenimento. Os recursos se tornaram escassos, lagos viraram poças de ácidos corrosivos e todos estão absortos em se distrair da realidade. E vemos uma mulher chamada Debbie Decay na moto com seu namorado/protetor Led Dent.

Um homem chamado Ralphie atravessa a área de passagem dos canais. Ele empurra os outros com insensibilidade para a água enquanto ele se liberta freneticamente de alguém. Led voa de moto e arrasta Ralphie na rua pela coleira. Decay pensa em como Led é um policial, um trabalhador da Flak Corporation que protege as audiências. Dent é nano-apromorado e obediente. Ele também é incrivelmente forte e responde a qualquer comando dado a ele devido a seus nanorreceptores.

Enquanto puxam Ralphie em alta velocidade, Decay pergunta onde seu chefe está localizado, Davey Trauma. Decay quer Davey como o verdadeiro poder por trás de Ralphie. Davey recentemente matou milhares de pessoas sem motivo intacto. Ralphie responde indecentemente que ele não os ajudará a encontrar Davey e Led Dent bate o rosto contra uma parede enquanto eles continuam dirigindo. O rosto de Ralphie arranha os tijolos e arranca sua carne e globo ocular do soquete. De repente, a voz de Ralphie muda. Davey assumiu o controle sobre ele como ele pode com qualquer um que seja nano-aprimorado.

O roteiro é algo muito comum nas obras desse estilo. Porém, Rick Remender consegue ser um tanto inovador na temática. Aqui, vemos temas considerados tabus sendo abordados como incesto, prostituição, clonagem como sendo tão banal como escovar os dentes, violência, etc. Além disso, abre espaço para discussões como ócio constante, dependência de diversão como válvula de escape para se livrar dos problemas que assolam a vida real e o desejo de algumas pessoas de se reconectar com a natureza.

A arte de Sean Murphy é bem poluída. Desse jeito, ajuda a dar um aspecto mais da velha guarda, como Spawn, e outros títulos dos anos 90. E também reflete como nosso mundo ficou destroçado, ao deixar que as pessoas se influenciassem pela tecnologia e numa realidade onde todos estão enclausurados dentro de si e claro, fazendo uma critica ao comportamento jovem de ficarem enfurnados em tecnologia quase o tempo inteiro até quando vão dormir.

As cores de Matt Hollingsworth são bem intensas e variadas. Quando a saturação é gigantesca, vemos que o mesmo mostra uma certa semelhança com outro trabalho de sua carreira, Wytches, também lançada aqui no Brasil pela DarkSide e na série Alias, de onde surgiu a personagem Jessica Jones.

Tokyo Ghost é o típico cyberpunk com alguns toques de temas um tanto peculiares, cenas um tanto estranhas, mas não deixa a desejar como um capítulo interessante desse subgênero. O final pode ser um tanto previsível e um epilogo pouco inspirado, mas agrada em certo ponto.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.