21
fev
2020
Carnaval, uma ova! 8 filmes para você que não se importa com o Carnaval (ou não tem dinheiro para ir aos bloquinhos)
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: Rafael Hires

Maracatu, frevo, samba, reco-reco, blocos, música no ultimo volume, abadá, glitter, fantasias, marchinhas, etc. Para os pouco aventurados (inclua os estrangeiros) nesse ramo, isso pode parecer um ritual satânico de nível astronômico. Mas para o povo no país do macacão, isso é só mais um começo de temporada de carnaval.

Muitos gostam e vão aproveitar; muitos querem aproveitar, mas não tem grana e ficam chorando; os que mesmo não tendo grana decidem aproveitar vendo os desfiles das escolas de samba na TV. Porém, existe um grupo que cada vez ganha mais adeptos: o dos que não gosta e querem ignorar.

Se você é desse time, calma que eu conheço umas escolas de samba que podem lhe ajudar a passar esse Carnaval: elas são Acadêmicos do Sofá (Pufe, Cama, Rede, etc.), Unidos da Smart TV (Smartphone, Tablet, Computador, etc.), Estação Primeira de Netflix, Mocidade Independente de Amazon Prime Video, Torrents de Ouro e Snacks de Nilópolis. E juntas, elas me ajudar a mandar a você, caro amigo, a ver alguns filmes bacanas para não passar 4 dias a toa na vida reclamando do tédio:

Parasita (기생충. Dir: Bong Joon-ho, 2019)

Sim, para começar essa lista, nada melhor que falar do senhor todo poderoso vencedor do Oscar 2019. Sendo uma grande surpresa a Academia premiar um filme estrangeiro com as maiores honrarias, esse filme consegue ser incrível de uma maneira totalmente única.

Uma família vivendo de um subemprego começa a melhorar de vida quando o filho mais velho começa a dar aulas de inglês a filha de um família rica. Os coreanos, como já constatado em outro filme interessante, o épico de subgênero zumbi Invasão Zumbi, sabem como transitar em vários gêneros, da comédia ao drama, da tragédia ao terror e tudo com uma direção afiada, cheia de ritmo e muito bem orquestrada.

Coringa (Joker. Todd Phillips, 2019)

Num mundo onde os super heróis dominam as bilheterias e onde muitos parecem estar um tanto irritados visto que o gênero continuar a figurar nas primeiras posições, além de dizer que a fórmula já está desgastada, vemos uma nova abordagem que pode, ou não, dar um frescor nesse mundão veio de filmes cada vez mais pouco inspirados.

Aqui, vemos não uma origem definitiva do personagem, mas sim algo mais voltado para a psique, onde o mundo trata as pessoas como lixo e a única válvula é ficar tão insano quanto os insanos. Vemos uma Gotham estilo Nova York anos 70, tomada por lixo, crimes, desesperança e pessimismo. Inspirado por grandes clássicos como O Rei da Comédia, Táxi Driver e a HQ A Piada Mortal, essa é uma nova origem do personagem que poderia ser tão canônica quanto o material escrito por Alan Moore.

Entre Facas e Segredos (Knives Out. Rian Johnson, 2019)

Os romances de mistério de Agatha Christie sempre foram muito cultuados, tanto que seu personagem mais famoso Hércule Poirote, recebeu uma série própria em 1989. Em 2017, um de seus livros Assassinato no Expresso do Oriente, recebeu uma refilmagem a cargo do diretor Kenneth Branagh (o mesmo responsável por Thor e sim, potterhead, é o mesmo Gilderoy Lockheart, de Harry Potter e a Câmara Secreta)

Eis que Rian Johnson depois de muito mal quisto pelos fãs de Star Wars, decide se voltar ao estilo de Christie e faz seu próprio universo de mistério, com muitas doses de humor negro e com um elenco estelar que poderia ficar ruim (visto que filmes com elenco estelar só pra fazer peso acabam naufragando nas bilheterias). Quem já leu um livro da autora, não terá do que reclamar perante esse filme.

Bacurau (Idem. Dir: Kleber Mendonça Filho, 2019)

“Filme brasileiro é ruim”. “Devemos acabar com o cinema brasileiro e nos focar em outras coisas mais prioritárias”. “Só fazem comédia ruim, filme de favela e filme religioso no cinema brasileiro”. Você, caro cinéfilo que vive no país do futebol, já deve ter ouvido isso em alguma roda de conhecidos ou estranhos e, dependendo do seu humor, reagido a isso com ou sem intensidade.

Kleber Mendonça já havia apresentado sua cota de filmes interessantes como O Som Ao Redor. Aqui, vemos uma história onde uma cidade muito pequena no interior do Nordeste brasileiro acaba sendo ameaçada quando um grupo de estrangeiros (dentre estes, alguns brasileiros mais abastados) adentra a comunidade. Mendonça sabe como ser fluente nos gêneros que quer explorar seja com drama, ficção cientifica padrão b, terror, tragédia numa obra que faz até o mais descrente com o cinema nacional ficar embasbacado com o nível de profissionalismo e grandiosidade, dizendo algo do tipo: “Hollywood chegou ao Brasil”. #nadaacomentar.

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame. Dir: Anthony e Joel Russo, 2019)

Calma, você aí que achou que eu só iria filosofar o tempo inteiro na lista. Claro que temos para você, amante do cinema pipoca, algo para você só aproveitar sem preocupação. Se o seu ânimo é só para ver algo com o cérebro desligado, aqui está.

A conclusão da Saga do Infinito do MCU, iniciada lá em 2008, vem com um final apoteótico como poucos foram vistos na história do cinema. Depois de quase 3 bi nas bilheterias, agora as possibilidade do universo Marvel são milhares e cada uma mais promissora que a outra.

O Farol (The Lighthouse. Dir: Robert Eggers, 2019)

Pós terror. Se há algo que deixa o fã de terror mais puto que filmes de terror mais vazios que a carteira no fim do mês, é vir gente falando que filmes de terror sem sustos surpresa são chamados de pós terror.

Primeiro de tudo: o terror nunca foi sobre assustar as pessoas. Ele sempre foi sobre construção de atmosfera. Segundo: os melhores de filme de terror não são os que assustam sem parar. Terceiro: não fala besteira. Passado o meu piti: O Farol é um grande exemplo de que filme de terror não precisa de sustos. Dois faroleiros estão isolados em uma ilha e ficarão por quatro semanas, cuidando de um farol até serem levados de volta a civilização.

O filme é cheio de simbolismos e tudo é muito bem feito. Ele irá afastar os fãs do terror mais pipoca, pois além de ser filmado em preto e branco, ainda possui um aspecto de tela reduzido. Porém, isso é feito de maneira proposital, a fim de fazer o espectador focar naquilo que é importante. Robert Eggers já havia mostrado seu potencial em A Bruxa e aqui, ele não faz miséria e mostra que continua afiado.

Midsommar – O Mal não Espera a Noite (Midsommar. Dir: Ari Aster, 2019)

Mais um terrorzinho maroto. Desta vez, um que tenha sustos, porém não tão óbvios e insultam o mais experienciado espectador. Se você já achou que filme de terror nunca funcionaria em dia claro, Ari Aster, mesmo diretor de Hereditário, vem te provar o contrario.

Aqui, um grupo de jovens (que novidade, Rafael! Calma que eu vou chegar lá) vai até a Suécia participar de um festival que esconde segredos estranhos e muito perturbadores. Esse é um filme que possui muitas influencias de filmes como O Homem de Palha e Candyman e sabe abordar religião de uma forma que alguns titulos no campo dos jogos como Outlast II sabe fazer de forma incrível.

Hebe – A Estrela do Brasil (Idem. Dir: Mauricio Farias, 2019)

Por último, porém não menos importante, gracinhas, mais uma cinebiografia. Desta vez, da maior apresentadora do país. Aqui vemos não a trajetória da grande comunicadora, mas sim de um dos momentos mais polêmicos da carreira, quando a mesma dividiu seu sofá com a então desconhecida transsexual Roberta Close.

Mauricio explicita em detalhes a vida que Hebe levava com seu ex-marido Lélio e a relação dela com a censura no fim da ditadura militar. Num tempo onde todos dizem que o cinema nacional deve deixar de existir, esse se mostra um filme onde nada pode ser tabu, senão corremos o risco de não poder discutir mais nada ou mesmo construir diálogos, seja sobre censura ou sobre identidade de gênero e sexualidade.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.