10
fev
2020
Crítica: “Como Treinar o Seu Dragão 3”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2020 • Postado por: Rafael Hires

Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World)

Dean DeBlois, 2019
Roteiro: Dean DeBlois
Dreamworks

3,5

Dreamworks. Um estúdio que sempre competiu com a Pixar para quem é mais inovador, querido e cheio de prêmios. Apesar de vez ou outra, lançar uma pletora de continuações mais parecidas com obrigações contratuais vindas de executivos, cujo único objetivo é lucrar no menor tempo possível sem se importar com a qualidade, vide Shrek Terceiro, Shrek Para Sempre: O Capítulo Final, Madagascar 2, Madagascar 3: Os Procurados, Os Pinguins de Madagascar e filmes bem questionáveis como Bee Movie, O Poderoso Chefinho, As Aventuras de Peabody e Sherman, O Espanta Tubarões, Megamente.

Eis que em 2010, chega o primeiro capítulo de Como Treinar o seu Dragão, com temas como aceitação de diferenças, miscigenação, conhecer o outro lado da moeda e várias outras questões. Em 2014, veio o segundo capítulo, ampliando o universo e sendo tão brilhante quanto seu primeiro. E finalmente chega o terceiro e (até então) último capitulo. Será que se tornou tão memorável quanto sua sequência?

Um ano após os eventos do filme anterior, Soluço, Banguela e seus companheiros dragões continuam resgatando dragões capturados para trazê-los para Berk e sua movimentada utopia humana e draconiana. Seus esforços resultaram na ilha ficando superpovoada de dragões. Em resposta à superlotação, Soluço deseja encontrar o “Mundo Escondido”, um refúgio seguro para dragões, mencionado por seu falecido pai Estoico. Enquanto isso, uma fêmea branca de Fúria da Noite, mantida em cativeiro pelos senhores da guerra, é dada ao infame caçador de dragões Grimmel, o Cruel como isca para ele capturar Banguela para uso dos senhores da guerra como alfa.

Banguela descobre a Fúria (uma nova espécie que Astrid chama de “Fúria da Luz”) na floresta e os dois ficam encantados um com o outro até a Fúria, sentindo a presença próxima de Soluço, fugir. Soluço e Cabeça Dura, mais tarde, descobrem as armadilhas do dragão de Grimmel na área. Grimmel visita Soluço naquela noite exigindo que ele entregue o Banguela, revelando que ele caçou e matou todas os outros Fúrias da Noite, mas Soluço preparou uma emboscada para ele; Grimmel escapa, incendiando a casa de Soluço e a maior parte de Berk com seus seis dragões no processo. Em resposta, Soluço reúne os cidadãos e os dragões para deixar Berk em uma missão para encontrar o Mundo Escondido e a segurança dos caçadores de dragões.

O roteiro foca em controle populacional e passagem de bastão. Visto que agora todos tem seus dragões, Berk ficou exposta e virou alvo de ataques de caçadores de dragões, pois ainda existe preconceito com essas criaturas até então focado apenas em Drago Sanguebravo. A passagem de bastão se deve ao fato que agora todos esperam que Soluço dê mais foco a aldeia que aos dragões. Além disso, seu antes inseparável companheiro Banguela agora está caindo de amores pela Fúria da Luz, tida como ultima da espécie.

A direção de arte é maravilhosa. Mesmo com a já relativamente grande quantidade de espécies de dragões apresentada em seus longas anteriores, aqui vemos que a variedade aumentou ainda mais, algo parecia impossível. Outro ponto a destacar é a variedade de cores que basicamente se tornou quase impossível dizer que não há nenhuma falta de tons ou cores de qualquer tipo. Além disso, é possível notar que o fogo mudou e de forma muito harmônica. Quando Soluço usa sua espada de gás que incendeia, o fogo possui uma naturalidade tão impressionante que parece ser algo vivo. Além disso, a forma como a invisibilidade, no caso da Fúria da Luz, foi tratada como um exemplo do que a Marvel deverá fazer se quiser que seu reboot de Quarteto Fantástico seja bem impressionante.

O som é algo incrível. Cada dragão possui seu próprio grito e todos são bem planejados. Nenhum dragão parece ter um grito igual ao outro, mesmo os de espécies semelhantes.

A dublagem está incrível. Jay Baruchel/Gustavo Pereira retornam como Soluço. O garoto, agora que o pai morreu é o próximo na sucessão do governo de Berk, porém não quer ter de abandonar os dragões que lutou tanto para serem melhor compreendidos na sociedade. America Ferrera/Luisa Palomanes voltam como Astrid. A garota acaba virando interesse amoroso de Soluço meio a contragosto, mas sempre mostra que não tolerará besteira de quem for.

Cate Blanchett/Martha Cohen retornam como Valka. A mãe perdida de Soluço ajudou na forma como a sociedade vê os dragões, mas teme que seu filho acabe priorizando os repteis alados a seu povo. Jonah Hill/Paulo Mathias Jr. retornam como Melequento. O garoto tem interesse romântico em Valka, mas ela nem sequer presta atenção nele. Christopher Mintz-Plasse/Charles Emmanuel voltam como Perna-de-Peixe. Ele andará pra cima e pra baixo com um filhote de dragão e será perseguido por um tropa de dragões minúsculos que adoram queimá-lo.

Kristen Wiig/Lina Mendes retornam como Cabeça-Quente. Apesar de a menina ainda ter interesse em Eret, ela sempre é abordada por Melequento e Perna-de-Peixe. Justin Rupple retorna como Cabeça-Dura. Eu não falei sobre o dublador brasileiro pois seu interprete original, o dublador Caio César (que fez a voz de Harry Potter na saga), morreu em 2015. Quem assume a voz é Fabrício Vila Verde. O garoto acha que só por ter barba é um imã de atrair mulheres, está mais para repelente.

Craig Ferguson/Cláudio Galvan retornam como Bocão. Bocão não curte ver que a ilha está abarrotada de dragões e é um dos primeiros a ver que Berk virou alvo fácil para caçadores. Kit Harington/Raphael Rossatto retornam como Eret, Filho de Eret, mas não tem quase nada de relevante. F. Murray Abraham/Márcio Simões encarnam Grimmel, o Cruel. Se todos achavam Drago tóxico, Grimmel é Chernobyl em pessoa. Controlando dragões usando de um veneno que os torna completamente obedientes ao seu comando isso o torna uma afronta a paz de Berk, Gerard Butler/Mauro Ramos retornam como Stoico, o Imenso, porém apenas em flashbacks onde Stoico fala a Soluço sobre o Mundo Escondido.

Como Treinar o Seu Dragão 3 é uma conclusão sensível e honesta. De longe, é uma das melhores conclusões do estúdio, mas existe uma certa semelhança entre este filme e o 2 que soa a muitos um tanto repetitivo. Uma maneira de alongar sua experiência é lendo os livros e vendo as séries derivadas, que mesmo não sendo tão inspiradas quanto os filmes apresentam histórias interessantes.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.