03
fev
2020
Crítica: “Jojo Rabbit”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2020 • Postado por: Rafaela Gil Ribeiro

Jojo Rabbit

Taika Waititi, 2020
Roteiro: Taika Waititi
Fox Pictures

4

Jojo Rabbit é um dos indicados os Oscar de Melhor Filme em 2020. Com seis indicações no total, incluindo roteiro adaptado e atriz coadjuvante para Scarlett Johansson, o filme dirigido pelo neozelandês Taika Waititi, nos apresenta, com um tom satírico e bastante inteligente, os impactos do nazismo na vida das crianças da época.

O protagonista do filme é um garoto de dez anos chamado Johannes Betzler vivido por Roman Griifin Davis (é o primeiro filme do ator mirim no cinema), que faz parte da Juventude Hitlerista. Durante a Alemanha Nazista, a Juventude Hitlerista era obrigatória, onde os jovens se organizavam em grupos e milícias militares. As crianças entre seis e dezoito anos, eram treinadas em acampamentos, onde realizavam diversas atividades físicas e eram doutrinadas sob as diretrizes das ideologias nazistas. O acampamento do filme é coordenado pelo Capitão Kenzendorf (Sam Rockwell) e conta com a presença de Fräulein Rahm (Rebel Wilson, que está divertidíssima!). Em uma das cenas do acampamento, Johanness é induzido a esfolar um coelho, mas se recusa. Portanto, é apelidado de Jojo Rabbit pelos outros garotos.

O pequeno Jojo é um garoto apaixonado e fanático pelas ideologias do Führer, tanto que cria o próprio Adolf Hitler como seu amigo imaginário. Um Hitler debochado e caricato é interpretado pelo próprio Taika Waititi, que além de dirigir o filme e ser responsável pelo roteiro (adaptado do livro Caging Skies da neozelandesa Christine Leunens), está irreconhecível no papel do ditador.

Percebemos que apesar de reproduzir os ensinamentos nazistas, Jojo é um garoto sensível e que busca aceitação. Ele quer um propósito, fazer parte de um grupo. Sua mãe Rosie é interpretada por Scarlett Johannson, que está em um dos seus melhores papéis de sua carreira e conseguiu um indicação dupla ao Oscar deste ano.

A mãe de Jojo representa a esperança. Nota-se que ela não se sente representada pelo universo nazista e tenta cuidar e proteger Jojo da melhor forma ao seu alcance. É muito interessante como o filme trabalha a relação de mãe e filho. Rosie busca desconstruir aos poucos a mentalidade fanática de Jojo, o ensinando sobre novas possibilidades de existência fora da realidade nazista. Ela busca um mundo melhor, uma Alemanha livre para todos.

O maior conflito do filme é quando Jojo descobre que sua mãe está escondendo uma garoto judia em sua casa, chamada Elsa (Thomasin McKenzie). O garoto entra em um grande dilema. Ter o desprazer de conviver com uma garota judia ou entregar sua própria mãe à Gestapo? Com medo que algo possa acontecer com a mãe, ele passa a tolerar a presença de Elsa e aos poucos começa a conhecer melhor sua realidade.

A relação de Jojo e Elsa se inicia com dois opostos tendo que conviver juntos, mas logo é notável que os dois personagens possuem uma grande conexão. São duas crianças enfrentando as dificuldades da guerra, praticamente sozinhas, buscando afeto e lutando pela sobrevivência. Jojo aos poucos descobre que Elsa não é um “demônio com chifres”, como lhe haviam ensinado sobre todos os judeus.

Jojo Rabbit é um filme bastante necessário nos dias atuais, com ótimas atuações e críticas afiadas sobre um regime que dizimou milhões de pessoas. A fotografia do filme merece destaque, já que ela consegue nos transmitir a euforia e a tristeza de várias cenas essenciais do filme, como se ela acompanhasse os sentimentos do protagonista. O tom do roteiro, satirizando diversos comportamentos nazistas pode assustar no começo, pela forma banal e escrachada que alguns temas sérios são representados ou citados. Mas essa é a intenção de Taika. Ele busca provocar, chocar, sensibilizar e mostrar ao público que é necessário resistir para que tempos sombrios não retornem.



Libriana, formada em relações públicas e mestranda em Comunicação. Adora comentar sobre filmes e mais ainda sobre seriados!