09
fev
2020
Crítica: “Toy Story 4”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2020 • Postado por: Rafael Hires

Toy Story 4

Josh Cooley, 2019
Roteiro: Stephany Folsom e Andrew Stanton
Disney

3,5

Toy Story. Uma trilogia considerada entre as mais perfeitas, visto que nenhum dos filmes são considerados ruins. Quando o primeiro Toy Story foi lançado, ele se tornou um marco em animação computadorizada, apresentando formas humanas bem convincentes. Mesmo que hoje vejamos algumas falhas, ainda assim tem seus méritos. Menos de 5 anos depois, chega Toy Story 2, que apresenta novos personagens e uma história bem interessante. Porém, quando Toy Story 3 chegou, muitos achavam seria mais um capítulo de trilogia ruim. Porém, encantou a todos com temas como passagem de bastão e largar coisas da infância. Em 2014, foi anunciado 3 continuações de grandes titulos da Pixar, sendo Carros 3, Os Incríveis 2 e Toy Story 4. Carros 3 teve um resultado de público e crítica muito baixo. Os Incríveis mesmo tendo uma bilheteria polpuda, não agradou a todos, pois acharam que este capítulo veio um tanto quanto tardiamente e perdeu um pouco do boom de filmes de super heróis que estavam pipocando entre 2014 e 2018. Nove anos antes, após os eventos de Toy Story 2, Betty (Annie Potts/Telma da Costa) e Woody (Tom Hanks/Marco Ribeiro) tentam resgatar CR, o carro com controle remoto de Andy, de uma tempestade. Assim que eles terminam o resgate, Woody observa como Betty é doada a um novo proprietário e pensa em ir com ela, mas finalmente decide ficar com Andy. Em seguida, vemos um Andy adolescente os doando a Bonnie (Madeleine McGraw/Perla Ficher), uma criança mais nova, antes de ir para a faculdade. Enquanto os brinquedos são gratos por ter uma nova criança, Woody luta para se adaptar a um ambiente em que ele não é o favorito como ele era com Andy, aparente quando Bonnie pega o distintivo de xerife de Woody e o coloca em Jessie (Joan Cusack/Mabel Cézar) , sem se dar ao trabalho de dar a ele um papel durante a brincadeira. Em um dos dias de orientação do jardim de infância de Bonnie, Woody se preocupa com ela e entra dentro da mochila.Depois que um coleguinha tira os materiais de arte da menina, Woody rapidamente devolve os materiais e várias peças de lixo, incluindo um spork (um garfo com aparência de colher ou uma colher com dentes pequenos) de plástico. Bonnie usa isso para criar um spork bípede com olhos postiços, que ela chama de Garfinho (Tony Hale/Duda Espinoza). Garfinho ganha vida na mochila da garota e começa a ter uma crise existencial, pensando que ele é lixo e não um brinquedo e desejando permanecer em uma lata de lixo. Quando Garfinho se torna o brinquedo favorito de Bonnie, Woody se encarrega de impedir que ele se jogue fora. Quando a família de Bonnie faz uma viagem, Garfinho pula pela janela do trailer e Woody o persegue. Depois que Woody explica o quão importante ele é para Bonnie, Garfinho decide acompanhar Woody e voltar para ela. Perto do parque de trailers onde a família de Bonnie está hospedada, Woody vê o abajur de Betty em uma vitrine de antiguidades e entra, esperando encontrá-la. Lá dentro, ele e Garfinho encontram uma boneca falante chamada Gabby Gabby (Christina Hendricks/Érika Menezes), que deseja que a caixa de voz de Woody substitua a quebrada. Enquanto Woody é capaz de escapar, Gabby captura Garfinho. Em um playground, Woody se reúne com Betty e suas ovelhas, que agora vivem como brinquedos “perdidos” que não são dedicados a uma criança. Betty concorda em ajudar Woody a salvar Garfinho e voltar para Bonnie. E finalmente chega Toy Story 4. Mas será que possui as mesmas qualidades de seus antecessores? O roteiro aposta na nostalgia em cheio. Visto que o primeiro filme estreou em 1995 e a maior parte dos antigos fãs já está na casa dos seus 30 anos ou mais, voltar depois de 9 anos foi acertado, já que são poucos que acompanharam as outras histórias dos brinquedos nos curtas especias envolvendo a série. E claro, como não poderia deixar de ser com o padrão estabelecido em Toy Story, sempre há um tema central que vem com o objetivo de fazer adultos refletirem como papel na sociedade, os famigerados “rótulos” que as pessoas dão umas as outras. Porém, não se faz tão necessário haver um outro filme, visto que a franquia já havia encerrado no seu auge, com uma conclusão satisfatória. Isso acaba dando uma sensação de um epilogo desnecessário, já que poucas vezes um epilogo consegue ser bem encerrado. Além disso, há uma trama paralela com Buzz não sabendo como lidar entre pertencer a Bonnie ou ficar ao lado de Woody. Além disso, de certa forma, é possível ver uma critica de brinquedos que prometem demais em suas propagandas, mas se mostram verdadeiros engodos. A direção de arte é indiscutível. Se em 2010, as formas dos brinquedos já eram incríveis em comparação com 1995 e 1999, aqui os detalhes da animação estão ainda mais incríveis. Seja um pequeno estrago numa peça ou mesmo quão bem feita é a aparência de um arame felpudo que serve como os braços de Garfinho, isso mostra que o nível de credibilidade aumentou e vertiginosamente a fim de proporcionar um realismo nos brinquedos. A trilha sonora é impecável. O sempre presente Randy Newman, colaborador das trilhas da casa desde o primeiro Toy Story, continua se mostrando inexorável. Além disso, compôs a faixa I Can’t Let Yourself Throw Away, que está concorrendo ao prêmio da Academia. A dublagem está incrível. Tom Hanks/Marco Ribeiro brilham como Woody, que agora está se questionando se tem espaço na vida de Bonnie. Tim Allen/Guilherme Briggs encarnam de novo Buzz Lightyear. Desta vez, Buzz quer ajudar Woody e não está apto a abrir de mão de estar com o xerife. Annie Potts/Telma da Costa estão incríveis como Betty. Antes, uma boneca frágil e bastante dependente do xerife, deu a volta por cima e está empoderada, totalmente só e sabe como se portar diante das adversidades. Christina Hendricks/Érika Menezes estão muito boas no papel de Gabby Gabby. Sua personagem é iludida por propaganda que mostram que ela só é completa com uma dona de nome corresponde por seu livro e tem dificuldades para ser levada a sério como brinquedo, visto que seu design vintage não atrai crianças e sua caixa de voz velha a faz parecer sinistra. Keegan-Michael Key/Marco Luque e Jordan Peele/Antonio Tabet arrasam na pele dos espevitados Coelhinho e Patinho, dois brinquedos que, há anos, são estão presos como brindes de parque de diversões que ninguém quis. Tentaram dar a esses endiabrados brinquedos a tarefa de serem mais importantes que os ets da agora saga, mas mesmo assim não são tão incríveis, visto que os mesmos tinham um charme maior por serem pouco inteligentes e serem inocentes. Aqui, os dois são loucos e muito insanos. Mesmo sendo um contrapeso, não se tornam tão icônicos. Keanu Reeves/Mauro Horta é Duke Caboom, o boneco mais motorizado da saga. Dukle tem um trauma, pois quando seu dono o colocou para funcionar na primeira vez e o mesmo não foi efetivo, desde então está desgosto, mesmo sendo um boneco de proezas incríveis. Toy Story 4 está longe de ser a animação mais brilhante do estúdio, mas sabe ser competente e não foge de abordar assuntos que estão muito em voga hoje em dia. Parecendo mais um epilogo desnecessário ou mesmo uma tentativa arriscada de um novo reboot, ainda assim tem seu charme.


Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.