18
mar
2020
Crítica: Por Lugares Incríveis
Categorias: Críticas • Postado por: Lidia Glória
TROQUE PELO POSTER DO FILME

Por Lugares Incríveis (All the Bright Places)

Direção: Brett Haley, 2020
Roteiro: Jennifer Niven, Liz Hannah
Netflix

4

“I met you standing’ on a ledge

what’s going on inside that pretty head?

I met you standing’ on a ledge

Why don’t you come talk to me instead?”

A adaptação do livro de Jennifer Niver, que também colaborou com o roteiro do filme, conta com a direção de Brett Haley também diretor de The Hero e Corações Batendo Alto. O filme conta a história de dois adolescentes, Violet Markey (Elle Fanning) e Theodore Finch (Justice Smith), que se conhecem em um parapeito de ponte quando Violet deprimida pela perda da irmã pensa em tirar a própria vida. Eles, por insistência de Finch, acabam se tornando amigos. Pela premissa do filme, seria fácil considerar ele mais um filme de donzela em perigo e não assistir, no entanto esse trabalho vai muito além disso.

Por lugares incríveis se propõe a explorar vários temas e faz isso com muita maestria do início ao fim. O romance não é nem de longe a principal preocupação do filme, se fosse para chutar um tema minha aposta seria: sentir. É sobre isso, a capacidade de sentir o mundo de cada um e maneira pessoal e subjetiva; é sobretudo uma obra que nos obriga a sentir empatia e também ensina a olhar o sofrimento alheio muito além do semblante do coleguinha.

O retrato da vítima de bullying nesse filme é bem ousada, por não mostrar uma pessoa abatida e isolada optando por mostrá-la simulando felicidade. Uma experiência que o filme proporciona é a de nos fazer como os amigos da vítima, nós sabemos o que ela passa reconhecemos muitos de seus problemas, mas não damos a devida importância afinal ela está sempre sorrindo. E essa sensação é mérito de Justice Smith que tem o sorriso falso mais real já visto nos últimos anos do cinema.

Os post-its. O teto cheio deles é a imagem mais marcante do filme e o desenrolar da história mostra sua relevância para um personagem o que dá muito mais impacto para o desfecho do filme com eles. O vermelho, que é sempre relacionado a um dos principais, em especial Finch, também é muito subjetivo, representando tanto o amor dele pelas pessoas, quanto sua fúria.

A fotografia do filme não tinha grandes inovações, a câmera tremida em situações tensas, mesmo que sutilmente, não funcionou, no entanto é um artifício bem normal. A direção opta por uma fotografia que transmita uma experiência mais íntima com os personagens então está sempre perto mesmo em quadros abertos sempre há um personagem próximo da câmera, o espectador acaba se aproximando visualmente e emocionalmente dos personagens por esse recurso, caso tivessem explorado mais notariam não haver o porquê da câmera que tremia. A trilha sonora é envolvente e a música do parapeito com a qual eu comecei o texto é chiclete e fofinha

Por lugares incríveis é um filme fofo, cheio de sutilezas as quais você não consegue pegar todas assistindo uma única vez, delicado e com uma mensagem muito importante que gera empatia quase que espontânea e te faz ficar imerso de uma maneira que é muito difícil não levar nada dele para a sua vida.



Projeto de crítica cinematográfica que ama o cinema, mas tem problemas em lembrar nomes de diretores.