16
mar
2020
“Love Kills” é uma história de amor (ou não) com vampiros ferozes
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Rafael Hires

Love Kills

Danilo Beyruth
DarkSide Books, 245 páginas
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3.5

Este livro é uma cortesia da DarkSide Books.

Vampiros. Esses seres nefastos e perversos povoam no imaginário há muito tempo. Eles já tiveram sua cota de grandes produções em todos as mídias, seja a impressa, seja a visual. Desde que Bram Stoker estabeleceu em Drácula, em 1880, as bases daquilo que serviria como a base para os futuros monstros sugadores de sangue que viriam a ser criados a partir de então, viu-se que os mesmos possuíam as características semelhantes e não fugindo muito da regra.

Evidentemente, com o passar dos anos, teve um ou outro que mudou algumas percepções e umas características, alguns adotando comportamentos mais selvagens, outros com características monstruosas remetendo a Nosferatu, obra baseada em Drácula, que teve de sofrer alterações, visto que fora processado por usar sem autorização os personagens de Stoker.

E, claro, se há criadores que se inspiraram na forma mais clássica do vampiro mor, há quem familiarize com a versão mais selvagem. Tanto que a série 30 Dias de Noite, outro grande lançamento da DarkSide, que já foi analisado aqui. Eis que Danilo Beyruth, colaborador da Caveira que já teve um livro lançado pela editora em 2017 e, agora, está trazendo mais um titulo para nosso deleite.

Estamos em São Paulo. Helena, uma mulher que é uma vampira começa a desconfiar que existem vampiros que estão disputando presas no local onde mora. Um dia, Marcus, um jovem rapaz que trabalha em um restaurante acaba se deparando com a moça. Visto que a mesma foi ríspida com ele, o mesmo vai tirar satisfação com a garota. Quando Helena tenta hipnotizar o rapaz para tentar tirá-lo da situação onde os mesmos se encontram, ela descobre que o mesmo tem imunidade aos poderes psíquicos dos sugadores de sangue e fica espantada. A partir daí, começa uma jornada onde vamos ver quem é Helena e como é sua relação com esses vampiros.

A arte dispensa comentários. Quem já viu algum trabalho de Beyruth, não terá do que reclamar. Seguindo uma linha mais noir, a HQ é feita sem cor, o que lhe dá um ar de mistério e imprevisibilidade a trama. Quem não tem tanta familiaridade com Beyruth, recomendo ler a, até agora, quadrilogia Astronauta da Graphic MSP para se aventurar no trabalho dele.

O roteiro é bem feito. É fácil dizer que a história gera empatia, vista que se passa aqui no país do futebol, uma das poucas vezes onde o terror é explorado sem ser nos EUA. Danilo soube explorar bem a cidade de São Paulo, usando galerias e esgotos de forma a ser o esconderijo dos morcegos. E claro, usa dos mesmos artifícios que já foram explorados em outras obras dos sanguessugas, mas mesmo usando clichês, eles funcionam e são bem feitos. Vemos um certo dilema advindo de Helena, visto que a mesma quer se livrar de sua maldição e a mesma tentando se refrear, visto que ainda procurar tentar manter uma condição humana. Apesar de ser curta, o ritmo é bem dinâmico e não deixa a peteca cair um minuto.

O único grande problema é o final que parece apressado, mal resolvido e fica destoante perante a levada que a história estava encaminhando e, evidentemente, deixa um tipo de gancho para uma possível futura sequência.

Love Kills não é a história mais original sobre os sanguessugas, mas certamente dá um frescor e renova a fonte dos quadrinhos brasileiros e foge do convencional ao ambientar em nosso país uma história de terror que anda carente de histórias inacreditáveis no gênero.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.