14
nov
2018
Crítica: “Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindewald”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindewald (Fantastic Beasts – The Crimes of Grindewald)

David Yates, 2018
Roteiro: J.K. Rowling
Warner Bros. Pictures

4.5

Depois do fim de Harry Potter lá em 2011, muito se falou sobre o que seria o futuro da saga do bruxo. Desde então, houve vários tipos de projetos realizados, desde musicais, fan filmes e peças de teatro. Lá em 2016, o mundo se surpreendeu com o anúncio de que haveriam 5 novos filmes, porém eles contariam histórias anteriores ao período em que Harry esteve em Hogwarts, falando de personagens como Newt Scamander (Eddie Redmayne), um dos maiores magizoologistas do mundo bruxo e Gerardo Grindewald (Johnny Depp), o primeiro grande bruxo das trevas e um dos mais poderosos.

O primeiro filme dedicou-se inteiramente a falar de Newt e seu desafio de fazer um guia sobre todas as criaturas do mundo mágico. Porém, Grindewald chega aos EUA e causa a maior confusão, disfarçado de Graves (Colin Farrell). Eis que chega o segundo filme da nova saga e pretende trazer o inicio do clima de guerra ao mundo bruxo.

Depois de ter sido preso pelo Ministério da Magia americano (MACUSA), Grindewald está sendo torturado para falar e transferido para uma prisão de segurança máxima. Porém, ele junto de alguns correligionários consegue escapar e vai para Londres. Newt tenta voltar aos EUA, mas não consegue, já que os ataques causados pelo Obscurus, que havia se apossado do corpo de Creedence Barebone (Ezra Miller) fizeram um estardalhaço na Grande Maçã.

Newt acaba encontrado Alvo Dumbledore (Jude Law) que o informa que Creedence ainda está vivo. Newt acaba encontrando Queenie (Alison Sudol) e Jacob (Dan Fogler). Newt percebe que o mesmo está enfeitiçado por Queenie. Ela diz que fez isso, pois quer se casar com ele, mesmo as leis não permitindo.

O clima de guerra é construído aos poucos, desde a fuga numa carruagem puxada por testrálios no inicio do filme até o fim onde Grindewald já possui um certo numero de asseclas ao seu lado. Vários novos personagens são introduzidos como Leta Lestrange (Zoë Kravitz), o antigo amor de Newt, que está prestes a se casar com Teseu Scamander (Callum Turner), seu irmão mais velho e Nagini (Claudia Kim), uma Maledictus (pessoa que nasce com uma maldição, destinada a se tornar uma fera), que futuramente irá se unir a Voldemort.

Existe, claro, a presença de criaturas mágicas na trama, porém, não serão elas o fio condutor. Aqui, o roteiro focará em estabelecer o clima de apreensão visto que Grindewald se confirma como ameaça ao mundo bruxo e ao mundo trouxa, similar ao visto em O Enigma do Princípe, mas numa escala de eventos um pouco mais reduzida.

As comparações com ditadores de mãos de ferro são evidentes. Seja pelo seu desprezo aos não mágicos, seja por seu discurso camuflado que envolve até mesmo os mais ingênuos, exatamente como ele havia feito anteriormente com Creedence. Porém, as peças do tabuleiro vão se juntando para formar a batalha grandiosa no último capítulo.

Algo que será o maior fan service é a volta de personagens icônicos como Alvo Dumbledore, que começará a revelar sua relação misteriosa com Grindewald e entendermos o motivo do mesmo não poder lutar com seu antigo amor, além de uma ponta de Minerva McGonagall (Fiona Glascott) e a primeira vez que vemos Nicolau Flamel (Brontis Jodorowsky) na saga.

As atuações são boas. Eddie Redmayne continua o mesmo bruxo distoante, porém vemos um amadurecimento, já que, por vezes, acaba por estar num fogo cruzado com Grindewald. Dan Fogler ainda é o maior alívio cômico da saga, porém são doses homeopáticas de piadas. Alison Sudol, antes uma bruxa que tinha uma certa personalidade sarcástica e independente, aqui se mostra mais uma versão de mulher super apaixonada que fará de tudo para continuar com seu crush. Katherine Waterston continua com a mesma personalidade forte e determinada, porém aparece diluída em meio a tantos personagens introduzidos no segundo filme.

Jude Law mesmo estando na pele do diretor, pouco mostra em tela, mas ainda assim convence como personagem. Johnny Depp consegue fazer o papel de louco delirante similar a Adolf Hitler, sendo uma de suas atuações mais bem feitas nos últimos anos. Ezra Miller é o personagem que pouco fala, mas transmite suas emoções só com o olhar, o tornando alguém a ser temido. Claudia Kim, mesmo não possuindo grandes momentos em tela, se faz presente ao se contorcer toda, virando a temida cobra, que viria assombrar o mundo bruxo junto de Ralph Fiennes. Zoë Kravitz tem uma certa personalidade interessante, mas não fora tão bem explorada.

Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindewald é o segundo filme da recém estabelecida saga do mundo bruxo. Porém, parece quase um capítulo antes da conclusão da saga. É bem feito, cheio de efeitos visuais bem caprichados, mas com um roteiro que decide dar muitas voltas e não chega a lugar nenhum. Divertido, porém não memorável.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Agora, formado em Realização Audiovisual na Unisinos, dedico meu tempo a muitas outras aventuras emocionantes.