21
fev
2020
Para maratonar no carnaval: Os 7 melhores filmes originais da Netflix de 2019
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: David Ehrlich

Dizem que o ano só começa depois do carnaval. Então que tal aproveitar este momento para maratonar os bons filmes do ano passado na Netflix?

A lista a seguir abrange da animação ao documentário, do crime à comédia. Porém, um pequeno filtro foi necessário para montá-la: apenas produções originais. Portanto, não listarei aqui filmes que foram muito bem avaliados pela crítica como Joias Brutas e O Menino que Descobriu o Vento porque, embora só estejam disponíveis no Brasil através da Netflix, isso se deve a ela ter adquirido os direitos de distribuição, e não por tê-los produzido.

Dois Papas (Fernando Meirelles)

Após recentes escândalos no Vaticano, o conservador Papa Bento XVI (Anthony Hopkins) tenta convencer o liberal Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce) – futuro Papa Francisco – a reconsiderar sua resignação como arcebispo. Dentro dos muros da Santa Sé, eles tentam encontrar bases comuns para estabelecer um novo caminho à Igreja, apesar de discordarem em quase tudo. Com isso, enfrentam seus próprios passados e intenções para o futuro.

Utilizando-se da ficção para retratar um momento dramático do catolicismo, Dois Papas combina diálogos majestosamente teatrais com atores que parecem nascidos para interpretá-los, criando uma obra difícil de desgrudar o olho.

História de Um Casamento (Noah Baumbach)

O diretor de teatro Charlie (Adam Driver) e a atriz Nicole (Scarlett Johansson) passam por uma crise em seu casamento, e a separação é inevitável. Quando é oferecido a Nicole um trabalho do outro lado do país, inicia-se um processo de divórcio que ameaça a união da família.

Com uma narrativa incisiva que não deixa de gerar compaixão pelos seus personagens, História de um Casamento está entre os melhores filmes de Baumbach – que já abordou o tema do divórcio em A Lula e a Baleia (2005). Ambos os lados do conflito familiar são retratados de forma equilibradamente crítica, apontando para muitos pequenos aspectos de divórcios que filmes geralmente ignoram.

O Irlandês (Martin Scorcese)

História real de Frank Sheeran (Robert de Niro), braço direito da família criminosa Bufalino. No final de sua vida, ele relembra segredos que vinha guardando por lealdade, desde quando era apenas um caminhoneiro e começou a envolver-se com o mafioso Russell Bufalino (Joe Pesci) até quando trabalhou e formou uma amizade com o poderoso líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino).

Épico em todos os sentidos da palavra, O Irlandês pode assustar com suas três horas e meia de duração, mas o investimento vale a pena: Scorcese consegue tornar cada minuto importante, em uma história que comove, diverte e que se mostra espantosamente relevante nos dias atuais.

Floresta de Sangue (Sion Sono)

Um vigarista (Kippei Shiina) entra nas vidas de uma equipe de jovens cineastas e de uma jovem tímida (Eri Kamataki) profundamente traumatizada e com pais rígidos. Ele os manipula, seduz e abusa até fazerem tudo que pede, mesmo quando envolve morte. Baseado no serial killer Futoshi Matsunaga e nas extorsões, torturas e assassinatos que ele cometeu no Japão entre os anos 90 e 2000.

Sono realiza aqui uma obra subversiva como nenhuma outra: um festival de sangue e sexo tão exuberante em seus excessos que fica gravado na memória, e tão psicodélico que não dá para acreditar que possa ser baseado em um caso real, mesmo que livremente – e talvez seja melhor assim.

Meu Nome é Dolemite (Craig Brewer)

A vida do lendário comediante, cineasta e pioneiro do rap Rudy Ray Moore (Eddie Murphy), melhor conhecido por seu alter ego: o cafetão lutador de kung fu Dolemite. Contra todos que o contradizem, ele torna-se um fenômeno nos anos 70 com seu humor indecente em shows de stand-up. Mas Moore quer mais, e arrisca tudo para produzir um filme blaxploitation que leve Dolemite às telonas.

Tão ousado quanto o ícone que retrata, o filme vale a pena não só por ser divertido, mas também mostrar o que tornou Dolemite tão importante e irresistível em sua época – tudo ancorado por um triunfal retorno à forma de Eddie Murphy, ele próprio demonstrando o que o tornou uma lenda.

Klaus (Sergio Pablos)

O carteiro Jesper é enviado à distante e gelada ilha de Smeerensburg, onde faz amizade com Klaus, um recluso lenhador que fabrica brinquedos. Juntos, através de presentes que Klaus entrega como simples atos de bondade, eles tentam aquecer os corações da população local e terminar com séculos de rixas que dividem a ilha, inventando assim uma nova tradição natalina.

Inquestionavelmente um dos melhores e mais charmosos filmes de Natal dos últimos anos, Klaus baseia-se não apenas uma história bem-humorada e emocionante, como também em uma animação tradicional que prova que, mesmo na era da animação computadorizada, essa forma de arte ainda tem muito potencial de nos encantar.

Evelyn (Orlando von Einsiedel)

Em 2005, o irmão mais novo do cineasta de guerra Orlando von Einsiedel, Evelyn, cometeu suicídio. Como Evelyn gostava de caminhar, Orlando vira as lentes para sua família conforme eles partem em uma série de caminhadas por seus locais favoritos no Reino Unido, tentando superar assim os efeitos devastadores da tragédia. Em meio a paisagens deslumbrantes, eles lidam com emoções bastante complicadas.

Através de uma escavação impiedosa do passado e encontros inusitados que ocorrem ao longo do caminho, Evelyn vai muito além de um bucólico passeio em família e acaba falando com honestidade dos sentimentos de todos aqueles que lutam para superar uma perda pessoal.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.