26
abr
2020
Outer Banks: Caça ao tesouro adolescente da Netflix
Categorias: Séries e TV • Postado por: Lidia Glória

Outer Banks

Shannon Burke, Jonas Pate, Josh Pate, 2020
Roteiro: Shannon Burke, Jonas Pate, Josh Pate
10 episódios (50 min.)
Netflix

2

Uma série cheia de pessoas sem camisa e sem história.

Outer Banks conta a história de um grupo de garotos: um muito inteligente o Pope (Jonathan Daviss); A ativista Kiara (Madison Bailey); O delinquente, JJ (Rudy Pankow) e o protagonista Jonh B (Chase Stokes). Eles vivem em uma ilha, onde há uma divisão de classes entre Kooks (As pessoas ricas) e Pogues (As que não tem tanto dinheiro). Um dia eles vão pescar no mangue e encontram um barco Grady White afundado. Depois de pegarem uma chave de lá começa uma grande caça ao tesouro.

A sinopse é interessante, mas nada nesse roteiro tem explicação ou fechamento. Os personagens principais são esses arquétipos facilmente definidos por uma palavra e nem tem sobrenome, o JJ se quer tem um nome é só JJ. O que é JJ? José Junior?

Dá para contar nos dedos de uma mão os personagens minimamente desenvolvidos, por tanto os únicos que conseguem alguma identificação com o público. São dois o JJ e o pai do pope Heyward (E. Roger Mitchell). Um tem uma família problemática e sofre com um pai abusivo e o outro é um pai carinhoso que só quer o melhor para o seu filho.

A personalidade do protagonista é o que o roteiro precisar. Nada nele é construído profundamente, no começo da série ele diz que o melhor amigo dele é o JJ e do nada muda para Kiara. O amor dele pela Kiara também, muda no instante que tem uma chance com uma Kook , Sarah Cameron (Madelyn Cline) uma da únicas personagens a quem foi permitido um sobrenome. Poderia ser uma jogada de mestre que só os ricos tivessem sobrenome, mas nós temos do lado dos Kooks o Topper (Austin North). Sim o nome dele é Topper, coitado do Austin saiu do Logan Watson de Não Fui Eu! para ser um homem sem um traço de personalidade que vai de tosco para homem apaixonado quando o roteiro manda sem nunca ser explorado, mas nem o Jonh B é explorado e quando tentam explorar alguém temos perolas como o traficante psicologo e militar, aliás todo o núcleo das drogas é absurdo, da família do JJ que vende maconha ao traficante de cocaína terapeuta. Além de todo adolescente da série fazer uso de algum tipo de entorpecente em algum momento e todos sempre estarem bebendo, mas raramente ficarem bêbados.

Para não falar só mal da série, temos boas coisas no meio dessa patifaria: A fotografia que é realmente inspirada, seus tons de laranja e bom controle de campo fazem com que você não se canse daquele lugar; A arte que deixa a ilha muito crível, da casa do Jonh B aos destroços do furacão e os atores que estão muito bem em seus papeis, mesmo sem terem recebido o mínimo de personalidade do roteiro.

Uma coisa que não pode ficar de fora do comentário é a dificuldade da câmera de parar quieta. Está o tempo todo balançando e quando as personagens começam a correr então é um Deus nos acuda. A câmera vai da cabeça para o pé e se subisse mais um pouco teria configurado um tilt fácil.

Voltando a falar da deficiência do roteiro, ele não explica nada, mas pensa que explica tudo. Como o Big Jonh (Charles Halford) conhece o Ward Cameron (Charles Esten)? Ele foi até ele pedir ajuda? O Ward veio até ele? Por que a Xerife não prendeu o Ward antes ele mesma disse que sabia quem e onde só não sabia quando. Como o Ward soube onde estava o ouro sem destruir todo o terreno, sendo que os meninos sofreram para descobrir. Como que pogue não fica com pogue se eles são todo o polvo pobre e negligenciado da ilha, eles têm que todos ficar com Kooks, mas ele não se odeiam? De onde vieram aqueles caras que estavam procurando o barco também?

Essa história de Kooks e pogues está na série só para preencher espaço com embromação também, no final do primeiro episódio já tinha sido saturado e ninguém aguentava mais, era uma representação ruim de uma luta de classes que só existia lá para dar desculpa do tipo “Eu não sei mergulhar porque é esporte de kook” que se tornaram insuportáveis dado um certo momento.

Outer Banks é uma série que não tem desenvolvimento nenhum, tem algumas poucas coisas inspiradas e que não sustentam essa série que é uma tortura de oito horas e meia e teria ficado muito melhor se o roteiro fosse uma obra do Aguinaldo Silva, ele pelo menos tentaria fechar alguma coisa. Aliás tem muita novela melhor que essa série.



Projeto de crítica cinematográfica que ama o cinema, mas tem problemas em lembrar nomes de diretores.