28
abr
2020
“The Dark Man”, o homem que habita a escuridão de Stephen King
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Matheus Benjamin

Stephen King é, sem dúvidas, um dos grandes nomes da literatura mundial. O escritor coleciona uma vasta gama de sucessos que se tornaram cotidianos nas telas do cinema. Já são inúmeras adaptações, romances, contos, séries e poemas. Também pudera, King tem uma meta diária de escrita que precisa ser atingida todos os dias. Logo, podemos dizer que todos os dias da vida do escritor são repletos de trabalho. 

Por meio de Sobre a Escrita (publicado no Brasil pela Suma de Letras), King relata suas experiências acerca do seu processo criativo, além de dizer que sua meta de 2 mil palavras por dia nem sempre tem algum valor efetivo, já que essa iniciativa parte do ponto de manter sua escrita quente e o hábito vivo. Sendo assim, muitas obras de King já foram traduzidas e trazidas ao Brasil, transformando-se quase instantaneamente em grandes sucessos.

Um dos casos mais memoráveis de que me lembro foi de ver a internet toda comprando o recém lançado Sob a Redoma, antes mesmo dele ser lançado por aqui. Dessa forma, já podemos concluir que Stephen King é popular e conquista os leitores das mais variadas formas, usando e abusando dos medos para amarrar suas narrativas. E um escritor com nuances e histórias tão sombrias, repletas de temas um tanto quanto repulsivos e boas doses de horror não poderia deixar de ter pelo menos algum de seus títulos publicados e traduzidos pela editora Darkside Books, que além de produzir edições luxuosas em seu catálogo, também gosta de trazer ao público muitas histórias de terror.

The Dark Man, também chamado por aqui de O Homem que Habita a Escuridão, é um poema bem antigo desenvolvido por Stephen King em sua época da faculdade. Em 1969, o referido poema foi publicado por meio do jornal literário Ubris da Universidade do Maine, no qual King se formou em literatura inglesa. Esse poema, que o próprio autor afirma ter tido a ideia em um momento vago durante uma visita ao restaurante universitário, pode ser considerado como o precursor da criação de um personagem icônico: Randall Flagg.

Flagg já apareceu em pelo menos 9 obras de King, além de ser sempre descrito como um homem envolto em trevas. King o descreve como aquilo que ele acreditava para o mal representava, sendo um homem muito carismático, mas que apela sempre para apresentar o pior de todos nós.

A edição da Darkside Books apresenta a versão ilustrada por Glenn Chadbourne, publicada originalmente em 2013 e é uma parceria oficial com a Cemetery Dance. O livro tem capa dura e em meio às ilustrações há o texto trazido de maneira estilizada, mas que aborda consigo uma estética convincente ao conteúdo tratado. As ilustrações de Chadbourne são repletas de detalhes, é impossível não ficar pelo menos alguns minutos observando cada centímetro do desenho — o que me permite dizer que fazer pelo menos 3 leituras iniciais da obra sejam essenciais para captar a mensagem de uma maneira satisfatória.

De uma forma geral, a experiência de leitura com as ilustrações enriquecem muito a assimilação para com o texto. Entretanto, ler o poema na íntegra no formato como conhecemos de um poema (e também como muito provavelmente fora concebido) pode fazer alguma diferença. São cerca de 41 versos preenchidos por um pouco mais de 70 ilustrações que deixam a atmosfera e o tom da obra ainda mais instigante.

Vale a pena dar uma chance para a obra como ela está e também, posteriormente, procurar pela versão original. A edição brasileira tem capa dura, detalhes avermelhados, 160 páginas e é traduzida por César Bravo.



Fã de Miyazaki, Villeneuve, Aïnouz e Bodansky. Estudante de Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Paraná. Produzi alguns filmes, entre eles "Alice." e "Lado B", pela Pessoas na Van Preta.