15
jun
2020
Apocalipse alienígena: 7 filmes em que a humanidade lutou contra extraterrestres pela sua sobrevivência
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: David Ehrlich

Atualmente chega a ser engraçado pensar que até ano passado o cinema tentava insistentemente nos convencer de que o fim do mundo como o conhecemos viria do espaço, não? Desde os primórdios do cinema de ficção científica, década após década vimos filmes nos quais a humanidade enfrenta alguma ameaça alienígena para evitar sua extinção. Conforme cineastas buscam por novas abordagens para este velho tema, porém, é possível notar como que as diferentes ameaças alienígenas representam diferentes temores em diferentes épocas – e o que a resistência humana diz sobre nossa própria natureza.

VAMPIROS DE ALMAS (DON SIEGEL, 1956)

De tantas adaptações já feitas em cima do romance de Jack Finney (além de todos os outros filmes que ele inspirou), sua história já se tornou uma das mais reconhecíveis da ficção científica: uma cidade na Califórnia tem sua população pouco a pouco substituída por plantas espaciais capazes de replicar com perfeição os residentes locais – exceto que essas réplicas são desprovidas de qualquer emoção. A adaptação de Siegel, porém, entrou para a história do cinema como uma das melhores representações da psique e do zeitgeist americano dos anos 50, especialmente a paranoia de viver em um sistema tirânico sem autonomia pessoal – e pior, de conformar-se com isso.

INVASORES DE CORPOS (PHILIP KAUFMAN, 1978)

Em sua versão de Vampiros de Almas, Kaufman realizou algo que poucos cineastas conseguiram: fazer um remake tão icônico quanto o filme original. Isso se deve a vários fatores, como a mudança de cenário para San Francisco, uma das cidades mais progressistas dos Estados Unidos; uma maior liberdade artística em seus efeitos visuais e sonoros; um novo final, que o próprio Siegel considerou melhor que o de seu filme; e, principalmente, uma atualização em sua alegoria sobre pessoas desumanizadas que ficam de olho em qualquer um que não seja que nem elas, oportuna para uma época marcada pelo escândalo Watergate e pelo suicídio em massa de Jonestown.

CÍRCULO DE FOGO (GUILLERMO DEL TORO, 2013)

Em sua deliciosa homenagem a animes de mechas e filmes de kaijus, Del Toro vai além de contar mais uma simples história de robôs gigantes lutando contra monstros alienígenas igualmente gigantes, utilizando-se de diálogos e diversas metáforas visuais e narrativas para contar uma história de pessoas aparentemente incompatíveis trabalhando juntas quando é necessário. Com isso, ele escapa da tendência jingoísta dessas histórias, e ao invés de um “comercial de recrutamento” (em suas próprias palavras) cria um filme sobre confiarmos uns nos outros e cruzarmos barreiras de cor, gênero e crença – algo que Del Toro admite que queria ter visto quando criança.

HERÓIS DE RESSACA (EDGAR WRIGHT, 2013)

Em sua própria interpretação cômica – e extremamente britânica – da narrativa de Vampiros de Almas (substituindo as plantas por robôs), Wright parte da ideia de uma pequena cidade cujos habitantes foram substituídos por extraterrestres para satirizar a homogeneização do mundo pelas grandes marcas e também contar uma história mais relacionável de adultos retornando à sua cidade-natal e sentindo-se alienados (literalmente). E, sendo uma comédia, por que não colocar o destino do mundo nas mãos de Simon Pegg, aqui interpretando um alcoólatra com séria síndrome de Peter Pan, que acha que a liberdade, bebedeira e festas da adolescência não precisam acabar.

NO LIMITE DO AMANHÃ (DOUG LIMAN, 2014)

Baseado em uma light novel japonesa de Hiroshi Sakurazaka, No Limite do Amanhã possui provavelmente uma das ameaças alienígenas mais originais do cinema: um superorganismo capaz de voltar no tempo e rearranjar as próprias táticas até vencer a guerra. Tom Cruise estrela como o herói que sem querer acaba roubando essa habilidade, e assim volta para a mesma batalha toda vez que morre. Poderia ser uma história um tanto sombria (como é a light novel), mas o filme aproveita-se do carisma de Cruise para dar um ar quase cômico à premissa: de tantas as situações em que o protagonista morre sem sofrer nenhuma consequência, não dá pra não rir de algumas delas.

UM LUGAR SILENCIOSO (JOHN KRASINSKI, 2018)

São filmes assim que nos lembram porque o cinema é uma mídia única: nenhuma outra nos envolveria tanto em uma Terra aniquilada por alienígenas quase invencíveis que, embora cegos, têm audição hipersensível. Além de um filme de terror criativo, Um Lugar Silencioso é também a história de uma família que, em meio à sobrevivência, tem sua integridade testada pelo medo e pela responsabilidade. A tentativa deles de viver o mais normalmente possível emitindo o mínimo de sons leva-nos a uma vida pós-apocalíptica extremamente imaginativa – e a algumas decisões dos personagens que, por mais estúpidas que pareçam, infelizmente muitos de nós também tomariam.

VINGADORES: GUERRA INFINITA (ANTHONY E JOE RUSSO, 2018)

A superprodução da Marvel foi eficiente como um clímax para dez anos de desenvolvimento do seu universo cinematográfico (com a conclusão, Ultimato, lançada no ano seguinte). Mais importante, porém, é como o filme mudou a motivação do antagonista Thanos: enquanto nos quadrinhos ele deseja exterminar metade da população do universo como uma forma de impressionar a personificação física da Morte, em Guerra Infinita ele busca “reequilibrar o universo” e evitar sua destruição por superpopulação, como aconteceu em seu planeta natal. Não apenas essa mudança o torna mais um anti-herói do que um vilão, como também o faz ressoar mais relevante.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.